Debate sobre quadrinhos na Travessa

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Ontem fui na Semana de Quadrinhos da Travessa. O debate foi entre o polêmico André Dahmer (Malvados), S. Lobo (Barba Negra), Alzira Valéria (NUEHQ) e Tiago Lacerda (Beleléu). Eles falaram sobre as HQs nacionais, web-comics, mercado, economia, comunismo, arte e como ganhar dinheiro vendendo cerveja. É sério.

E adivinhem só: eu gravei!

Foi muito interessante. Quero ver quem aí concorda ou não com o que foi dito. E se concorda, quero ver quem vai por as idéias em prática. Vamos lá, está aberto o desafio.

Me desculpem, porque eu cheguei um pouco atrasado e fiquei na última mesa. A lanchonete estava agitada. Garçons andavam de um lado para o outro servindo vinho, água e refrigerante – e me ignoraram completamente, aqueles safados! Ligavam máquinas barulhentas que faziam nã0-sei-o-quê. E atrás de mim, pessoas ficavam conversando sem parar. Mas que diabos! Foram lá pra ouvir o debate ou ficar de conversinha? WTH? QUE-CONVESASSEM-LÁ-FORA!

Enfim, apesar de tudo, o som ficou audível. Eu acho. Enjoy.

Gostou? Não concorda com os caras? COMENTA AÍ xD

Clica aí para ouvir o debate sobre HQs nacionais da Semana de Quadrinhos da Travessa.

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Bate Papo com a editora Crás

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No Comic Fair eu gravai algumas entrevistas com os fanzineiros e quadrinistas independentes (tem diferença?). O objetivo era para uma pesquisa pessoal, mas algumas conversas foram bem interessantes e vale a pena compartilhar com vocês.

Primeiro, trago o pessoal da Crás editora independente, Tiago e Tales.

Se concordam ou discordam do que eles disseram, comentem!

Clique para ouvir o bate-papo com Tiago e Tales da editora Crás

Lançamento Quadrinize online – A Revista de quem faz quadrinhos

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A revista eletrônica Quadrinize! está finalmente online.

Quando eu iniciei este blog, a proposta era que ele suprisse um pouco a necessidade de postar assuntos relacionados à criação de quadrinhos enquanto a Quadrinize ainda era apenas um projeto. Agora que ela já começa a andar com as próprias pernas (clichê ridículo), este bloguinho será uma espécie de “versão underground” da revista, onde postarei opiniões mais pessoais, críticais, downloads e sugestões. As postagens serão mais eventuais, mas em contrapartida, a Quadrinize terá duas atualizações semanais.

Acesse já a Quadrinize e fique em dia na leitura. Assine o RSS, siga o twitter, pois tem mais novidades muito boas por aí.

Quadrinize! A Revista de quem faz Quadrinhos

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Quadrinize

Alguns acompanharam o angustiante parto dessa revista. Pois ei-la! Todinha sua.

Quadrinize! é uma revista que não vai te ensinar fórmulas mágicas, não vai te dar nenhuma revelação divina e nem responder os maiores mistérios dos quadrinhos. Não vai te tornar profissional. Nem lembro mais porque você devia ler…

Ah, sim! Vai esclarecer pontos, faze-lo questionar outros, derrubar conceitos que só atrapalham e lhe dar algumas informações e indicações de qual caminho seguir para escrever aquela história que vale a pena ser lida. Nada de mais.

São 24 páginas de textos sobre a criação de uma história, mas não pára por aí. A revista impressa é apenas a introdução aos conceitos que serão abordados na revista eletronica gratuita. É um suplemento com material exclusivo, que não será publicado no site. Trará aquilo que, para alguns, pode ser a grande mudança de mentalidade quanto autor de quadrinhos.

Em suma, a Quadrinize! é a versão oficial, bombada e mais alucinada deste blog maledito (exceto pelo último post, que é totalmente maluquice; sério, não leia xD). Este blog continuará existindo, porém como a versão underground da revista, o porão da casa onde ficará a bagunça maior.

Chega de conversa fiada e corra com o mouse no link abaixo. Compre já a sua! Se não lhe acrescentar em nada em seu trabalho com quadrinhos, não devolvo o dinheiro mas a Amanda lhe manda um beijinho de consolo.

Quem é Amanda? Ora, leia a Quadrinize! e descubra.

Essa edição é sobre:

Roteiro: Sobre o que os leitores querem ler?
Personagens: Reais, Convincentes e Humanos
Produção: O Segredo para jamais desistir
Ambientação: A diferença entre cenário e ambiente
Formas de Publicar: Os dois principais meios de distribuição
Especial: Ulisses Perez dá dicas para você montar seu portifólio

Clica aí e compre a Quadrinize!

Oficinas de HQ e Fanzines nas Bibliotecas de SP‏

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Oficina de HQ e Fanzine em SP

Esse release é sobre o projeto de oficnas culturais de HQ da Coordenadoria de Bibliotecas do Municipio de SP.

“Um projeto da Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas que tem como objetivo levar ao público uma linguagem que desenvolva e estimule a criatividade para o desenho (no caso, quadrinhos), para a escrita e para a leitura (personagem, história e roteiro). Iniciado em 2006, quando foram produzidos alguns fanzines nas oficinas de HQ de nove bibliotecas públicas, o projeto anuncia uma demanda significativa, cuja produção sugere uma atenção especial.
A partir de 12 anos. Inscrições e maiores informações diretamente nas bibliotecas”
A informação completa da programação, e dos artistaas envolvidos no projeto está no site da pefeitura.
O triste disso tudo é que esse tipo de iniciativa não dá realmente um apoio aos artistas que eles dizem estar formando. Você faz a oficina, aprende um pouquinho (ou não) e pronto. Por onde o pretendente a autor caminhará em seguida? Com quais recursos? Com o apoio e orientação de quem?
Ele precisará ir sozinho.
E, mais importante, não há mercado para receber esses futuros artistas que se iludem com o sonho de trabalhar e ganhar a vida com HQs. Não que seja impossível. Mas matematicamente insignificante.
Eu apóio a iniciativa da Coordenadoria de Bibliotecas de SP, mas apoiaria muito mais se eles dessem real apoio e investissem de verdade no quadrinho nacional.
No mais, já que o apoio que gostaríamos não existe, digo aos que pretendem um dia viver de sua arte, isto: lutem pelo seu objetivo, não importa o que digam; não percam tempo lamentando a falta de apoio e incentivo ou chorando a falta de mercado e espaço. O mercado quem cria é a concorrencia de qualidade e o espaço quem cria é você.
Simbora cambada!

O herói Brasileiro BRASILEIRO!

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Certo… Então você quer criar um herói de quadrinhos brasileiro, para brasileiro curtir? Quer que o seu público seja amplo e se divirta com seu herói? Quer que os leitores entendam o que seu herói representa? Quer que eles se identifiquem com ele e se lembrem dele mesmo quando não estão lendo sua história em quadrinhos?

Se a resposta for “não” para essas perguntas, não precisa continuar lendo esse artigo. Mas se a resposta for “sim”, é preciso se certificar de que você não vai começar da forma errada.

Não que haja “certo” e “errado” quando se trata de criar personagens. Mas alguns aspectos são cruciais para determinar a possibilidade de sucesso ou fracasso total em alcançar os objetivos citados no primeiro parágrafo.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que estamos no Brasil, escrevendo para brasileiros. Então precisamos nos desapegar totalmente da visão estrangeira de “herói” e “super-herói” que, por tanto tempo, está impregnada no inconsciente coletivo dos autores e nerds do nosso país. Não podemos mais querer reproduzir o que absorvemos dos heróis estadunidenses, japoneses, ingleses ou de onde for. Estadunidenses escrevem histórias voltadas para estadunidenses, japoneses escrevem para japoneses, assim por diante. Mas infelizmente somos um povo que escreve e cria coisas projetando outras culturas SEM conhecê-las devidamente.

O herói brasileiro precisa ser um HERÓI e precisa ser BRASILEIRO. Para isso não basta dar poderes a um fortão ou a uma siliconada e tascar-lhe uma bandeira do Brasil, jogando-os no meio da Amazônia para defender a selva. Isso pode parecer bem intencionado, mas não passa de panfletagem piegas e sem imaginação. Não basta trocar a roupa do seu herói gringo favorito por roupas verde-amarelo.

Se você criar um herói baseado nas características do Batman, talvez alguns leitores do Batman gostem. A maioria vai te considerar um plagiador, mas há a possibilidade de que alguns achem legal sua iniciativa. Se você criar um herói que carregue a marca do brasileiro e seu dia-a-dia, pode ser que consiga conquistar uma grande gama de leitores que se identificam com esse herói e seu universo.

Assim foi com o Homem-Aranha, que por sinal, revolucionou os quadrinhos nos EUA na época. Um nerd perdedor (a grande maioria dos leitores de quadrinhos são nerds ou esportistas-atléticos-garanhões?) que tinha uma vida normal de um nerd norte-americano, de repente se torna um herói, mas não sem trazer as devidas consequências para sua vida pessoal, familiar, amorosa e profissional.

Este sucesso fenomenal se deu porque os autores, muito sabiamente, compreenderam o público que consumia quadrinhos na época. Eles souberam lidar com os estereótipos e arquétipos tão amplamente que conquistaram leitores não só dos EUA, mas do mundo inteiro. Ainda assim, os quadrinhos eram voltados para os estadunidenses.

Minha proposta é que se encontre o herói brasileiro em meio ao seu próprio povo. Parem de se basear em seus heróis favoritos. Guardem suas HQs no armário e saia de casa. Olhe para as pessoas, para o lugar onde você vive. O herói brasileiro pode estar ao seu lado no ônibus, na sala de aula, no super-mercado. O herói brasileiro pode ser você…

Mas primeiro vamos entender o que é um herói. Ou melhor, o que faz um herói.

Um herói não é necessariamente super. O que faz dele um herói não são os super-poderes, são seus feitos, seus atos e suas escohas, sejam fantásticos ou apenas humanos. Sâo suas motivações de se importar com o mundo, com uma idéia ou uma pessoa a ponto de se sacrificar por aquilo que considera importante e que esteja ameaçado. Pode ser um super-poderoso impedindo uma invasão alienígena ou um homem sacrificando sua saúde no trabalho pesado para alimentar a família.

Ato heróico é sacrificar-se em prol de algo mais importante do que a si mesmo*.

Então, podemos concluir que o que faz o herói é a necessidade. Seja um perigo eminente ou uma privação. O importante aqui é estabelecer o elo, a motivação que fará uma pessoa comum se importar com a necessidade existente a ponto de se tornar o herói que vai resolver a parada.

Um herói nacional surge de uma necessidade nacional.

O Super-man foi criado em uma época em que os EUA atravessavam o pior momento de sua história. Ainda se sentia os efeitos da quebra da bolsa, a crise econômica era forte e a Segunda Guerra se aproximava inevitável. Era preciso um herói que resolvesse todas as necessidades daquele povo. Surgiu então dos céus um homem de aço, invulnerável, infalível, dando conta de todo tipo de super-vilão.

O mesmo aconteceu no Japão. Após a destruição de duas de suas principais cidades, surgiram heróis em filmes e quadrinhos capazes de derrotar qualquer ameaça, fosse tecnológica, alienígena ou biológica. O país estava seguro.

Tais acontecimentos afetaram o inconsciente coletivo desses povos.

Por isso o herói é aquilo que o povo precisa. E para se tornar herói, ele precisa se importar. O Homem-Aranha, quando recebeu os poderes, se importava apenas em realizar os próprios sonhos. Mas quando sentiu na pele a necessidade de um povo, decidiu lutar para protegê-lo.

Isso já basta se você quer um herói popular, mas descartável. Mas isso não é o suficiente para definir o herói brasileiro. Com um bom herói, a HQ nacional pode ganhar uma boa revista. Mas os quadrinhos precisam de mais do que apenas um herói para sobreviverem a longo prazo. Precisam de um mito. Assim, poderão surgir diversos heróis, em diversas formas e variações, baseados no mesmo mito.

Para se tornar um mito, o herói precisa fazer parte do inconsciente coletivo. Vamos usar como exemplo o herói japonês. A grande maioria desses heróis são baseados em conceitos milenares daquela cultura. Esses conceitos, por sua vez, são baseados em valores de honra, coragem, lealdade, fidelidade e bravura. São conceitos samurais.

O samurai é uma figura mitológica no Japão; isso não significa que esse mito nunca existiu, mas também não significa necessariamente que existiu. Nesse caso específico, os samurais existiram, mas o que realmente ficou no inconsciente coletivo foi uma imagem fantástica e idealista do samurai – a imagem que o povo japonês precisava para suprir suas necessidades.

Dessa forma, os autores têm a sua disposição um conceito, uma imagem, um mito no qual podem se basear seguramente, confiantes de que seu herói, estando dentro desse conceito, será aceito nessa cultura. E devido ao fato do mito do Samurai estar cada vez mais se tornando parte também do inconsciente coletivo do mundo ocidental, esses heróis, seus valores e feitos estão sendo aceitos deste lado do globo.

Mas e o herói brasileiro? E o mito nacional? Já o temos a nosso dispor ou precisamos construí-lo?

Alguns acreditam que os mitos estão nos folclores, outros defendem que nossos heróis estão no nosso passado, na figura de revolucionários como Tiradentes e Lampião. Eu não apóio e nem descarto essas possibilidades. Mas precisamos entender que os folclores vieram de uma cultura totalmente diversa da que vivemos hoje em dia (indígena e africana), portanto não se encaixam no mundo moderno e em suas necessidades. E os ditos heróis do passado não lutaram por algo que precisemos hoje em dia.

Então o que se pode fazer, se é que queremos usar essas duas opções, é reciclá-las de acordo com o Brasil de hoje, com o povo que está aí esperando por um herói para suas próprias necessidades. Podemos retirar os valores destas figuras que são aproveitáveis nos dias de hoje e criar um folclore moderno ou uma neorrevolução. O brasileiro nunca se importou com o passado, e não é com uma aula de História nacional em quadrinhos que ele vai passar a se importar. O que importa para o leitor é o Hoje, o Agora.

Observe os arquétipos à sua volta, os tipos de pessoas que existem aqui. São muitos. O herói brasileiro, para ser brasileiro, precisa ser um deles. E para ter um público amplo, precisa ser um brasileiro comum. Um brasileiro que pode ser eu ou você ou seu vizinho. Precisa enxergar o Brasil tal como ele é e se importar a ponto de realizar feitos heróicos.

Se isso será feito metaforica ou explicitamente, é com você. É aí que entra a idéia da história, assunto que foi tratado nos artigos anteriores. Não adianta usar temas que só a você interessa ou que de acordo com sua opinião, deveria ser de interesse de todo o povo. Isso resultará em fracasso imediato. Sua idéia precisa se basear naquilo que REALMENTE interessa ao povo brasileiro. Mas não seja óbvio demais a ponto de colocar carnaval e futebol. Existem coisas que o povo se interessa e nem sabe disso. Descubra. Depois, quando tiver compreendido e criado seu universo baseado no interesse e necessidade do povo, você insere o ingrediente final: o seu toque, sua identidade, sua mensagem.

E não se esqueça nunca de qual é seu público. São pessoas, seres humanos, brasileiros. Entender isso na sua essência faz toda a diferença.

*O conceito grego do “Herói” é de um ser situado entre o humano e o divino, capaz de realizar feitos épicos. No entanto, o próprio termo indica um protagonista de uma obra dramática ou de uma narrativa. No mundo moderno, o herói tem sido mostrado como uma pessoa que também possui suas falhas e fraquezas e, muitas vezes, não possui nenhuma capacidade sobre-humana, mas sim a disposição e motivação de realizar o ato heróico. Pode-se considerar, portanto, que um herói é um protagonista que supera suas condições humanas, seja física, mental ou espiritualmente, para realizar sua jornada em busca de seu objetivo final que, normalmente, será proteger aquilo que considera importante.

Mais um texto clássico resgatado do fundo do baú.

Fanzineiros Afoitos

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Fanzine

Niguém discute que no Brasil hoje zines são sinônimos de amadorismo, certo? E não há problema algum nisso. Ninguem nasce sabendo (eu acho).

O problema é quando o fanzineiro não faz a lição de casa e sai metendo as caras fazendo uma HQ e mandando para todos lerem. Ou pior, vendendo. Perceba, não sou contra fazer um laboratório quadrinístico. Eu mesmo apóio e incentivo iniciativas como o 24 Hours Day, que é um mega-laboratório coletivo. Mas desde que se saiba fazer a distinção e NÃO esperar uma miríade de elogios, fãs e COMPRADORES por conta disso.

Normalmente, antes de se fazer uma HQ, um autor dedicado, realista e com objetivos bem focados estuda a mídia em TODOS os seus aspectos. Se ele é um desenhista ele vai estudar tudo o que puder sobre anatomia, proporção, expressões faciais, linguagem corporal, perspectiva, cenário, arte-final, cores e mais uma série de coisas. E ainda buscará noção de enquadramento e narrativa. Se for roteirista, ele vai ler de tudo, estudar os princípios da estrutura e estética, diálogos, divisão de cenas, sequencias e atos, personagens, conflito, gênero e até gramática.

Antes de começar a pensar em escrever uma história para um público, ele se certifica de que fez bem essas lições.

Mas o fanzineiro afoito, não. Ele assiste alguns animes, vê algumas coisas em comum entre eles, se identifica com uma coisa e outra e aprende a rabiscar um personagem. Então ele acha que dá pra fazer uma historinha com isso. E eu entendo perfeitamente essa empolgação, porque eu mesmo fiz muito disso na minha adolescencia. Fiz minhas cópias de Sailor Moon, Zeoraymer, Doug e Yuyu Hakusho durante as aulas no colégio. E como eu posso dizer para não fazer algo que eu mesmo fiz? Bem, não quero que ninguém perca o tempo que perdi.

Sim, ainda que o fanzineiro considere isso como treino de narrativa e tudo o mais, é uma perda de tempo se ele ainda não fez as primeiras lições de casa. Isso é querer pular etapas. Por que ele quer treinar coisas avançadas das técnicas de quadrinhos se seu desenho ainda está aquém do mínimo para se fazer um trabalho aceitável?

E se o fanzineiro considera tais fanzines como um simples treino, ele admite que tal HQ NÃO é para o publico, pois não se oferece aos leitores um mero “treino”, e sim uma obra pronta e completa para apreciação e entretenimento, sem aquele erro grotesco de anatomia ou aquele buraco na ambientação tirando o leitor de dentro da mágica da narrativa. Não precisa ser perfeito, mas deve ser feito com excelência e livre de erros típicos do amadorismo tão recorrente nos nossos zines atuais.

Outro argumento usados por alguns fanzineiros afoitos cientes de suas grandes limitações e falta de conhecimento e técnica é “Eu fiz apenas por diversão e amor”. Oras, se isso é verdade, então fica mais que comprovado que a HQ não foi feita para o leitor, e sim para si próprio, para a própria diversão e passatempo. Quando não para o próprio ego. Não se pode esperar elogios de um trabalho feito sem pensar no seu público, sem adequar para um grupo específico e sem ampliar as possibilidades de se agradar um maior número de pessoas. É um trabalho egocêntrico, logo não deveria ser postado para outros lerem.

Os profissionais levam a excelência tão a sério que eles fazem e refazem páginas inteiras quando necessário. Os testes e treinos sequer saem do estúdio.

Eu insisto que qualquer trabalho para exibição pública deve ser feito pensando nesse público e o autor deve ser equipado com todas as ferramentas necessárias para agradar as pessoas, e não a si mesmo. E ainda não vi argumentos que me convençam o contrário. Não que agradar o público seja um fardo para o autor – é um privilégio – mas fazer um fanzine às pressas só porque quer se divertir ou treinar NÃO É e nunca será nada mais do que um laboratório, e como tal, deve ser encaminhado apenas para críticos e beta-testers de confiança sem esperar nada além de correções.

#faleimesmo

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