Duas Horas com Coelho Neto: O Escritor Maldito

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A Infinitum Libris, que recentemente publicou em ebook uma nova edição de Esfinge, obra de ficção científica e horror escrita em 1906 por Coelho Neto, realizará junto a UERJ o evento “Duas Horas com Coelho Neto: O Escritor Maldito”. E eu serei um dos “palestrantes”.

Será uma mesa redonda sobre a vida e a obra do escritor que é considerado “o maior injustiçado da literatura brasieira” e também sobre a nova edição de Esfinge, posfaciada pelo jornalista e escritor Roberto Causo, que a considera a principal obra de ficção científica de nosso país.

Coelho Neto foi o autor mais lido de sua época, sendo apelidado de “Príncipe dos prosadores brasileiros”. Prolífico, deixou 112 obras, dentre as quais romances, contos, crônicas, peças de teatro e roteiro de cinema. Aventurou-se por diversos gêneros e escolas literárias como o naturalismo, impressionismo, regionalismo, realismo e simbolismo.

Apesar de sua grande importância e contribuição para a literatura brasileira, foi injustamente esquecido e relegado após o surgimento do movimento modernista.

Escreveu sob diversos pseudônimos, participou ativamente da campanha abolicionista e republicada e fundou a cadeira 2 da Academia Brasileira de Letras, instituição da qual foi presidente em 1926. Deu o título de Cidade Maravilhosa ao Rio de Janeiro e escreveu o roteiro de um filme com o mesmo nome.

O evento será dia 27/05 das 16:00 às 18:00h no no mini-auditório da FFP UERJ de São Gonçalo (R. Dr. Francisco Portela, 1470, Patronato, São Gonçalo – RJ), e terá os seguintes temas:

  • Modernidade e desilusão no romance Miragem (Renata Ferreira Vieira, UERJ)
  • O apagamento de Coelho Neto (Leonardo Mendes, UERJ)
  • Uma leitura sobre Esfinge (Willian Marinho Gonçalves, UERJ)
  • Reedição de Esfinge (Daniel Cavalcante, Infinitum Libris).

A iniciativa faz parte do esforço de resgatar importantes porém esquecidos nomes e obras da nossa literatura, afim de derrubar certos estigmas e aprender com os acertos e erros do passado.

Também haverá exemplares do livro para aquisição no local.

cartaz do evento

Brasileiro Não Lê – Por Trás dos Problemas Culturais do País

12 comentários

Um tempo atrás postei no twitter o seguinte:

“O brasileiro não lê” é uma grande falácia.

Eu esperava que a afirmação gerasse uma discussão no twitter, já que muitos intelectualóides gostam de reafirmar a inferioridade mental do povo brasileiro “comum” para se elevar, subindo no degrau da “minoria intelectualmente favorecida”. Esses caras gostam de se sentir superiores, acima dos que assistem TV domingo à tarde. Esperava uma resposta deles ou de qualquer outro.

Mas ninguém respondeu, meu twitt exceto o @mornaax.

Em seguida, meu colega @edsongarrido puxou o assunto no msn. Aconversa foi interessante, e posto aqui para mostrar a vocês meu ponto de vista e alguns dos meus argumentos sobre.

Ficará um tanto claro que, ao meu ver, quanto ao problema cultural do país, o buraco é mais embaixo.

Fiquem à vontade para comentar, discordar, repassar.

(14:46) Edson: quer dizer q o brasileiro lê?
(14:47) Quadrinize: eu acho q fazer estatisticas tendo como base toda a população nao é valido
(14:47) Quadrinize: pq a leitura nao é acessivel a todos
(14:48) Quadrinize: qnd se diz “o brasileiro nao le”, dá a impressao de q o povo todo nao tem nenhum interesse à leitura.. o q nao é bem verdade
(14:49) Quadrinize: nao concorda?
(14:49) Edson: sim, tem um grande fundo de verdade no seu raciocínio…
(14:50) Edson: principalmente se levarmos em conta não só a condição social, que não impede o brasileiro de ler, mas a condição educacional
(14:51) Quadrinize: exato..

eu nao conheco mto bem a realidade das escolas, mas no meu caso (estudei em bons colegios), a tentativa de estimulo a leitura foi bem frustrante

(14:52) Edson: qdo falamos em indice de analfabetismo, é raro considerarmos os analfabetos funcionais
(14:52) Quadrinize: e olha q conheço analfabetos funcionais q ate gostam de ler
(14:53) Edson: pois é… mas leem e não entendem… isso frustra e afasta o hábito
(14:53) Quadrinize: eu acho q essa ideia de q brasileiro nao le é uma anti-propaganda mal intencionada
(14:54) Edson: acho mto cômoda a ideia
(14:56) Quadrinize: tipo, a sociedade – leia-se, os q a governam – nao conseguem ou nao querem despertar o interesse e capacitar o povo para a leitura… é melhor colocar a culpa no proprio povo com frases como essa e tascar-lhe novelas e BBB
(14:57) Edson: ou modismos como os “rebolations” da vida
(14:58) Edson: panem et circenses
(14:58) Quadrinize: engraçado q pensei q meu update iniciaria uma discussão no twitter

yep

(15:00) Edson: sempre me frustro qdo penso nisso, sabe… aprendi a me afastar um pouco, pq me deixo afetar por isso… infelizmente ainda sou um ideologista
(15:01) Quadrinize: isso o q?
(15:01) Edson: nesse maniqueísmo do Estado

esta situação que parece sem saída pra nós

(15:02) Edson: já houve épocas em que eu não hesitaria em pegar em armas e ir à luta contra o sistema… mas depois a gente vê que é nadar contra a maré

e isso frustra

principalmente pra nós, que adoramos arte

(15:04) Quadrinize: nao sei se percebeu nos meus textos, mas sou mto mais ideologista do q artista hehe
(15:04) Quadrinize: todos os meus projetos nasceram da ideolodia de nadar contra a maré
(15:05) Edson: percebi sim

vc mete o dedo nas feridas

(15:06) Quadrinize: e sei lá.. eu tenho notado algumas poucas pessoas q percebem e acham interessante.. e até me ajudam
(15:07) Quadrinize: fora o pessoal da empresa onde trabalho, a x4ids.. todos tem um pensamento parecido
(15:07) Quadrinize: o q quero dizer é q nunca se está sozinho nessa, embora sejamos a minoria esmagada xD
(15:08) Edson: verdade
(15:08) Edson: por isso se unem as forças
(15:09) Quadrinize: e olha q minha ideologia vai mto alem desses assuntos 9_9
(15:10) Quadrinize: é como o policial fala no filme BOPE: ou vc se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra.

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