HQs do Abismo – Corredores Fantasmas

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Tempos atrás escrevi e publiquei aqui o conto Corredores Fantasmas. Algumas pessoas gostaram e o talentoso Wellington IRP me procurou e perguntou:

– Posso fazer uma HQ do seu conto pra treinar?

E obviamente respondi:

– Mas é CLARO!

Eu dei toda a liberdade para ele contar a história com a narrativa que achasse melhor, como geralmente faço. E não me decepcionei. Ele me enviou logo esboços das páginas e pouco tive a acrescentar a não ser alguns detalhes. Em cerca de dois meses, se não me falha a memória, ficou tudo pronto. Confira o resultado.

HQ online

E ainda nessa mesma parceria, uma nova HQ está a caminho. Mega-E é uma história cyberpunk/cybergoth ambientada em um Brasil corporatocrata às portas do pós-humanismo. Confira os primeiros estudos de personagens:

Estudo de personagens de HQ cyberpunk

Estudo de personagens de HQ cyberpunk

Estudo de personagens de HQ cyberpunk

Estudo de personagens de HQ cyberpunk

Debate sobre quadrinhos na Travessa

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Ontem fui na Semana de Quadrinhos da Travessa. O debate foi entre o polêmico André Dahmer (Malvados), S. Lobo (Barba Negra), Alzira Valéria (NUEHQ) e Tiago Lacerda (Beleléu). Eles falaram sobre as HQs nacionais, web-comics, mercado, economia, comunismo, arte e como ganhar dinheiro vendendo cerveja. É sério.

E adivinhem só: eu gravei!

Foi muito interessante. Quero ver quem aí concorda ou não com o que foi dito. E se concorda, quero ver quem vai por as idéias em prática. Vamos lá, está aberto o desafio.

Me desculpem, porque eu cheguei um pouco atrasado e fiquei na última mesa. A lanchonete estava agitada. Garçons andavam de um lado para o outro servindo vinho, água e refrigerante – e me ignoraram completamente, aqueles safados! Ligavam máquinas barulhentas que faziam nã0-sei-o-quê. E atrás de mim, pessoas ficavam conversando sem parar. Mas que diabos! Foram lá pra ouvir o debate ou ficar de conversinha? WTH? QUE-CONVESASSEM-LÁ-FORA!

Enfim, apesar de tudo, o som ficou audível. Eu acho. Enjoy.

Gostou? Não concorda com os caras? COMENTA AÍ xD

Clica aí para ouvir o debate sobre HQs nacionais da Semana de Quadrinhos da Travessa.

Lançamento Quadrinize online – A Revista de quem faz quadrinhos

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A revista eletrônica Quadrinize! está finalmente online.

Quando eu iniciei este blog, a proposta era que ele suprisse um pouco a necessidade de postar assuntos relacionados à criação de quadrinhos enquanto a Quadrinize ainda era apenas um projeto. Agora que ela já começa a andar com as próprias pernas (clichê ridículo), este bloguinho será uma espécie de “versão underground” da revista, onde postarei opiniões mais pessoais, críticais, downloads e sugestões. As postagens serão mais eventuais, mas em contrapartida, a Quadrinize terá duas atualizações semanais.

Acesse já a Quadrinize e fique em dia na leitura. Assine o RSS, siga o twitter, pois tem mais novidades muito boas por aí.

11 Dicas de Ambientação Para Roteiristas

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A Kadath de H. P. Lovecraft

Continuamos nossa saga abordando a ambientação, um dos principais elementos de qualquer narrativa. Esta é uma série de artigos visando dar a devida importência ao assunto, sendo que muitos ainda dedicam pouco tempo a ele. Talvez você queira imprimir essa série, guardar nos favoritos e compartilhar com pessoas que tem o mesmo interesse que você em escrever e contar histórias. Caso ainda não tenha lido o artigo anterior, não deixe de conferir antes de prosseguir a leitura.

Os artigos já publicados são:

1 – O que é Ambientação?

2 – A Pesquisa na Ambientação – Parte 1

3 – 11 Dicas de Ambientação Para Roteiristas

Longe de ser uma lista definitiva, cito alguns princípios e conselhos básicos para se tornar apto a ambientar uma história.

1 – Observe o mundo à sua volta

Como sempre tenho dito acerca dos personagens estarem literalmente ao seu lado, no mundo à sua volta, reforço esse mesmo princípio para a ambientação. Você não pode criar um mundo convincente sem antes conhecer e compreender o mundo em que você mesmo vive.

2 – Questione o mundo em que vive

Normalmente, por ser o mundo onde passamos toda a nossa vida, nos acostumamos a ele e consideramos saber tudo a respeito, quando a verdade é que apenas nos conformamos com as coisas como elas são. Sabe aquelas coisas que você conhece desde que se entende por gente mas nunca parou pra pensar em por que as coisas são assim depois da adolescência? Questione as coisas que parecem óbvias e você não tenha resposta para algumas delas. Por que vivemos em família? Por que  temos que ir à escola? Por que elegemos um presidente? Por que vamos à igreja? Por que precisamos de dinheiro? Por que o céu é azul?

3 – Reinvente o mundo

Depois de dar uma resposta significativa às perguntas sugeridas no tópico anterior, dê respostas diferentes que reinventem o mundo à sua maneira, mas de forma convincente e que possa ser explicada. Ex: Por que o céu é azul? Porque ele é um cenário de TV que foi pintado para enganar você (Show de Truman)

4 – Explore seus sensores

Faz parte da ambientação tudo o que envolve os cinco sentidos. Sons, cores, texturas, gostos, odores. Explore-os nas coisas comuns do seu dia-a-dia. Examine e compreenda o suficiente para reproduzi-los com exatidão em suas páginas quando for necessário.

5 – Estude outras culturas

A maioria dos autores de ficção utilizam diversas culturas e as recriam. Para isso, não basta um estereótipo cultural, como simplesmente colocar roupas ou arquitetura características ou você acabará por ser incoerente. Estude a fundo as origens dos costumes, as etapas do desenvolvimento, o pensamento, a filosofia, a religião, economia e sociedade locais. Só observando o conjunto é que os elementos individualmente farão sentido. Saiba criar essas dependencias nas suas histórias.

6 – Estude arquitetura

Não precisa ter um diploma, mas uma noção básica ajuda a não confundir o modelo islâmico com mourisco, gótico com bizantino e modernista com futurista. Ajudará você a decidir onde ficará a porta de entrada, as janelas, o banheiro… pois tudo deve ser planejado e nada é aleatório. Te dará maior noção de formatos e estrutura, suficiente para você não fazer todas as casas iguaizinhas. Por fim, te impedirá de desenhar uma casa impossível de ficar em pé. Em minha história Grayest Days, retrato uma cidade fictícia onde parte da arquitetura foi um reflexo da Gründerzeit alemã, o período pós-revolução industrial, e parte baseado em Veneza. Isso define certas regras que precisam ser seguidas sempre que traçar o design de um prédio, loja ou casa e determina o “clima” visual da cidade.

7 – Estude design de interiores

Não é coisa de mulher. Isso lhe facilitará muito a criar o ambiente familiar dos personagens da história. Muito do estilo de vida e classe social pode ser retratado no design. É um conhecimento valioso se bem aproveitado.

8 – Explore diferentes etnias

É muito comum autores inexperientes padronizarem a etnia dos personagens ou até mesmo o tipo físico – todos altos, de olhos azuis e cabelos lisos. Diversificação racial faz parte da ambientação da história. Em minha HQ Grayest Days,  os habitantes são essencialmente descendentes de alemães, ingleses e italianos, e tudo isso influencia no rumo em que a história toma.

9 – Não tente ser um novo Tolkien

Muitos autores, principalmente de Fantasia e Ficção Científica procuram criar uma ambientação extremamente detalhada, incluindo idiomas artificiais, mapas, políticas complexas, mitologia recheada de deuses, espíritos, templos e fiéis, culturas com minuciosas descrições e mais um amontoado de pormenores que deixam a história em segundo plano. Se você não tem experiencia o suficiente e se sua história não exige tal nível de detalhes, não se aventure a criar uma ambientação que levará anos para ser conluída. A história é sempre mais importante. H. P. Lovecraft criou um universo consiso, incluindo um panteão de deuses, culturas estranhas e idiomas obscuros e até um suposto livro de ocultismo de forma bem simplificada, evitando detalhes que tornariam suas novelas infindáveis, sempre focando no horror, tema de suas histórias.

10 – Aprenda a descrever sem ser chato

Faça exercícios de descrição. Descreva sua casa, sua rua, sua escola. E tente ser agradével, leve, sutil e divertido. Faça uma abordagem criativa, inusitada. Peça para pessoas lerem e procure saber se a leitura foi cansativa ou interessante.

11 – Estereótipos – use com moderação

Os estereótipos estão aí para serem usados. Eles trazem uma rápida associação ao leitor àquilo que você quer representar. Mas não abuse e não se limite a eles, principalmente quando se trata de uma cultura estrangeira. Lembre-se que o inusitado sempre é um ótimo remédio contra o clichê.

Estes são alguns passos para você se preparar e treinar antes de começar a ambientar sua história. Sabe de algo que ficou faltando aqui? Enriqueça essa lista através dos comentários e partilhe de minha fama, glória e meu marmitex de 1 real no almoço xD

Quadrinhos – Algo a Dizer

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Bakuman

Antes de abrir o seu editor de texto para escrever uma história, antes de sair criando personagens e inventando nomes de golpes poderosos, é preciso ter algo a dizer. Você precisa de algo que saia de dentro de você e vá pra dentro do leitor (sem sentido ambíguo). Algo que conecte vocês.

Ok, pra não ficar muito esotérico, você precisa ter uma mensagem para o mundo. Não uma lição de moral, como os desenhos americanos antigos. Você não precisa, nem deveria dizer “isso é certo, isso é errado”. Mas pode mostrar aquilo que você aprendeu na sua vivência a respeito da vida, do mundo, da sociedade em que vive – em que vive, não a do outro lado do mundo, se é que me entende.  O porque você acha que está nesse mundo.

Segundo Joseph Campbell, autor do Mito do Herói, toda História, todo mito, possui um herói que realiza uma série de proezas, sejam físicas ou espirituais, encontrando respostas que a humanidade está sempre buscando. Quem somos, de onde viemos, para que viemos, para onde vamos? Os mitos, mesmo de forma inconsciente, procuram responder isso. Não de modo arrogante ou religioso, dizendo “eu sei, leia isto, aqui está a resposta”.  Mas apresentar uma VISÃO, a sua interpretação da vida, como você vê o mundo. É basicamente o leitor pegar os seus olhos e enxergar a vida com eles.

Claro que pra isso, é preciso viver. O que é viver? Isso você tem que descobrir. Seja você mesmo, se liberte das amarras que te prendem a um conceito ou preceito limitador, quebre o muro, descubra novos horizontes, seja honesto e sincero consigo mesmo e com os outros.

Aceite a aventura da vida.

Não se esconda, não fuja, encare a si mesmo.

Querendo ou não, é verdade. Histórias não são apenas entretenimento. São o reflexo das necessidades de uma sociedade. Mesmo as histórias de hoje em dia. E os autores atuais, apesar de todo o capitalismo e espetáculo, principalmente no cinema, sabem disso. Por trás de todo entretenimento barato, há essa noção que é a base das escolas de arte, seja qual for a mídia. Como Campbell diz, os mitos existem pra nos fazer pensar, entender verdades que só podem ser expressadas simbolicamente. Ou, como diz o grande professor de roteiro Robert McKee, as histórias são uma metáfora para a vida.

Só tendo algo a dizer, algo que vá de encontro à necessidade humana, uma história pode verdadeiramente encantar e cativar multidões.

O herói Brasileiro BRASILEIRO!

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Certo… Então você quer criar um herói de quadrinhos brasileiro, para brasileiro curtir? Quer que o seu público seja amplo e se divirta com seu herói? Quer que os leitores entendam o que seu herói representa? Quer que eles se identifiquem com ele e se lembrem dele mesmo quando não estão lendo sua história em quadrinhos?

Se a resposta for “não” para essas perguntas, não precisa continuar lendo esse artigo. Mas se a resposta for “sim”, é preciso se certificar de que você não vai começar da forma errada.

Não que haja “certo” e “errado” quando se trata de criar personagens. Mas alguns aspectos são cruciais para determinar a possibilidade de sucesso ou fracasso total em alcançar os objetivos citados no primeiro parágrafo.

A primeira coisa que se deve ter em mente é que estamos no Brasil, escrevendo para brasileiros. Então precisamos nos desapegar totalmente da visão estrangeira de “herói” e “super-herói” que, por tanto tempo, está impregnada no inconsciente coletivo dos autores e nerds do nosso país. Não podemos mais querer reproduzir o que absorvemos dos heróis estadunidenses, japoneses, ingleses ou de onde for. Estadunidenses escrevem histórias voltadas para estadunidenses, japoneses escrevem para japoneses, assim por diante. Mas infelizmente somos um povo que escreve e cria coisas projetando outras culturas SEM conhecê-las devidamente.

O herói brasileiro precisa ser um HERÓI e precisa ser BRASILEIRO. Para isso não basta dar poderes a um fortão ou a uma siliconada e tascar-lhe uma bandeira do Brasil, jogando-os no meio da Amazônia para defender a selva. Isso pode parecer bem intencionado, mas não passa de panfletagem piegas e sem imaginação. Não basta trocar a roupa do seu herói gringo favorito por roupas verde-amarelo.

Se você criar um herói baseado nas características do Batman, talvez alguns leitores do Batman gostem. A maioria vai te considerar um plagiador, mas há a possibilidade de que alguns achem legal sua iniciativa. Se você criar um herói que carregue a marca do brasileiro e seu dia-a-dia, pode ser que consiga conquistar uma grande gama de leitores que se identificam com esse herói e seu universo.

Assim foi com o Homem-Aranha, que por sinal, revolucionou os quadrinhos nos EUA na época. Um nerd perdedor (a grande maioria dos leitores de quadrinhos são nerds ou esportistas-atléticos-garanhões?) que tinha uma vida normal de um nerd norte-americano, de repente se torna um herói, mas não sem trazer as devidas consequências para sua vida pessoal, familiar, amorosa e profissional.

Este sucesso fenomenal se deu porque os autores, muito sabiamente, compreenderam o público que consumia quadrinhos na época. Eles souberam lidar com os estereótipos e arquétipos tão amplamente que conquistaram leitores não só dos EUA, mas do mundo inteiro. Ainda assim, os quadrinhos eram voltados para os estadunidenses.

Minha proposta é que se encontre o herói brasileiro em meio ao seu próprio povo. Parem de se basear em seus heróis favoritos. Guardem suas HQs no armário e saia de casa. Olhe para as pessoas, para o lugar onde você vive. O herói brasileiro pode estar ao seu lado no ônibus, na sala de aula, no super-mercado. O herói brasileiro pode ser você…

Mas primeiro vamos entender o que é um herói. Ou melhor, o que faz um herói.

Um herói não é necessariamente super. O que faz dele um herói não são os super-poderes, são seus feitos, seus atos e suas escohas, sejam fantásticos ou apenas humanos. Sâo suas motivações de se importar com o mundo, com uma idéia ou uma pessoa a ponto de se sacrificar por aquilo que considera importante e que esteja ameaçado. Pode ser um super-poderoso impedindo uma invasão alienígena ou um homem sacrificando sua saúde no trabalho pesado para alimentar a família.

Ato heróico é sacrificar-se em prol de algo mais importante do que a si mesmo*.

Então, podemos concluir que o que faz o herói é a necessidade. Seja um perigo eminente ou uma privação. O importante aqui é estabelecer o elo, a motivação que fará uma pessoa comum se importar com a necessidade existente a ponto de se tornar o herói que vai resolver a parada.

Um herói nacional surge de uma necessidade nacional.

O Super-man foi criado em uma época em que os EUA atravessavam o pior momento de sua história. Ainda se sentia os efeitos da quebra da bolsa, a crise econômica era forte e a Segunda Guerra se aproximava inevitável. Era preciso um herói que resolvesse todas as necessidades daquele povo. Surgiu então dos céus um homem de aço, invulnerável, infalível, dando conta de todo tipo de super-vilão.

O mesmo aconteceu no Japão. Após a destruição de duas de suas principais cidades, surgiram heróis em filmes e quadrinhos capazes de derrotar qualquer ameaça, fosse tecnológica, alienígena ou biológica. O país estava seguro.

Tais acontecimentos afetaram o inconsciente coletivo desses povos.

Por isso o herói é aquilo que o povo precisa. E para se tornar herói, ele precisa se importar. O Homem-Aranha, quando recebeu os poderes, se importava apenas em realizar os próprios sonhos. Mas quando sentiu na pele a necessidade de um povo, decidiu lutar para protegê-lo.

Isso já basta se você quer um herói popular, mas descartável. Mas isso não é o suficiente para definir o herói brasileiro. Com um bom herói, a HQ nacional pode ganhar uma boa revista. Mas os quadrinhos precisam de mais do que apenas um herói para sobreviverem a longo prazo. Precisam de um mito. Assim, poderão surgir diversos heróis, em diversas formas e variações, baseados no mesmo mito.

Para se tornar um mito, o herói precisa fazer parte do inconsciente coletivo. Vamos usar como exemplo o herói japonês. A grande maioria desses heróis são baseados em conceitos milenares daquela cultura. Esses conceitos, por sua vez, são baseados em valores de honra, coragem, lealdade, fidelidade e bravura. São conceitos samurais.

O samurai é uma figura mitológica no Japão; isso não significa que esse mito nunca existiu, mas também não significa necessariamente que existiu. Nesse caso específico, os samurais existiram, mas o que realmente ficou no inconsciente coletivo foi uma imagem fantástica e idealista do samurai – a imagem que o povo japonês precisava para suprir suas necessidades.

Dessa forma, os autores têm a sua disposição um conceito, uma imagem, um mito no qual podem se basear seguramente, confiantes de que seu herói, estando dentro desse conceito, será aceito nessa cultura. E devido ao fato do mito do Samurai estar cada vez mais se tornando parte também do inconsciente coletivo do mundo ocidental, esses heróis, seus valores e feitos estão sendo aceitos deste lado do globo.

Mas e o herói brasileiro? E o mito nacional? Já o temos a nosso dispor ou precisamos construí-lo?

Alguns acreditam que os mitos estão nos folclores, outros defendem que nossos heróis estão no nosso passado, na figura de revolucionários como Tiradentes e Lampião. Eu não apóio e nem descarto essas possibilidades. Mas precisamos entender que os folclores vieram de uma cultura totalmente diversa da que vivemos hoje em dia (indígena e africana), portanto não se encaixam no mundo moderno e em suas necessidades. E os ditos heróis do passado não lutaram por algo que precisemos hoje em dia.

Então o que se pode fazer, se é que queremos usar essas duas opções, é reciclá-las de acordo com o Brasil de hoje, com o povo que está aí esperando por um herói para suas próprias necessidades. Podemos retirar os valores destas figuras que são aproveitáveis nos dias de hoje e criar um folclore moderno ou uma neorrevolução. O brasileiro nunca se importou com o passado, e não é com uma aula de História nacional em quadrinhos que ele vai passar a se importar. O que importa para o leitor é o Hoje, o Agora.

Observe os arquétipos à sua volta, os tipos de pessoas que existem aqui. São muitos. O herói brasileiro, para ser brasileiro, precisa ser um deles. E para ter um público amplo, precisa ser um brasileiro comum. Um brasileiro que pode ser eu ou você ou seu vizinho. Precisa enxergar o Brasil tal como ele é e se importar a ponto de realizar feitos heróicos.

Se isso será feito metaforica ou explicitamente, é com você. É aí que entra a idéia da história, assunto que foi tratado nos artigos anteriores. Não adianta usar temas que só a você interessa ou que de acordo com sua opinião, deveria ser de interesse de todo o povo. Isso resultará em fracasso imediato. Sua idéia precisa se basear naquilo que REALMENTE interessa ao povo brasileiro. Mas não seja óbvio demais a ponto de colocar carnaval e futebol. Existem coisas que o povo se interessa e nem sabe disso. Descubra. Depois, quando tiver compreendido e criado seu universo baseado no interesse e necessidade do povo, você insere o ingrediente final: o seu toque, sua identidade, sua mensagem.

E não se esqueça nunca de qual é seu público. São pessoas, seres humanos, brasileiros. Entender isso na sua essência faz toda a diferença.

*O conceito grego do “Herói” é de um ser situado entre o humano e o divino, capaz de realizar feitos épicos. No entanto, o próprio termo indica um protagonista de uma obra dramática ou de uma narrativa. No mundo moderno, o herói tem sido mostrado como uma pessoa que também possui suas falhas e fraquezas e, muitas vezes, não possui nenhuma capacidade sobre-humana, mas sim a disposição e motivação de realizar o ato heróico. Pode-se considerar, portanto, que um herói é um protagonista que supera suas condições humanas, seja física, mental ou espiritualmente, para realizar sua jornada em busca de seu objetivo final que, normalmente, será proteger aquilo que considera importante.

Mais um texto clássico resgatado do fundo do baú.

Dicas Para Criar Seu Personagem

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Continuando a série “resgatando textos antigos”, trago um sobre personagens originalmente postado nesse tópico do Orkut. Revisto e atualizado, porque opiniões e conhecimento mudam.

O pessoal gosta de começar a criar um personagem a partir dos poderes. A princípio, tudo relativo a poderes é deixado pra depois. Não parece, mas isso é o menos importante.

– OHHH!!! Mas o q será do meu personagem sem o seu poderoso ultra-mega-explosivo KAMEPEIDORRÁ????

É aí q tá. O personagem, com ou sem poder, é uma pessoa q tem seu histórico, seus sentimentos, crenças, motivações, objetivos e sonhos. Pessoas são complexas. Olhe pra você (vcs que leem isso aqui)! Você é complexo pra caramba! Os leitores de HQs são super complexos. E complexados, porque a maioria é nerd e fanboy.

Então eu diria q originalidade não importa nessa hora. Deixe ela pro enredo, pro desenrolar da historia. Toda história tem seu herói, anti-heroi, vilão, mocinha, e tudo isso varia de forma de acordo com o gênero. Por isso histórias são universais. Claro, se vc tem uma ideia ultra original para o pesonagem, use! Mas cuidado pra não ser algo q ninguem vai entender ou gostar. Faça o simples.

E o que é o simples? Faça seu personagem uma pessoa comum, como qualquer outra que esteja lendo a historia. Use arquetipos e esteriótipos sim. Crie uma personalidade comum no dia a dia, uma coisa q as pessoas identifiquem. O riquinho metido, a patricinha, o nerd espinhento. O leitor vai ler e pensar “ei, se parece comigo!” ou “ah, essa guria chata é igualzinha minha namorada!!!”. Aí você criou a identificação e o leitor se interessou.

É aí que vc vai colocar coisas a mais. Vai se aprofundar na alma do personagem. Poque o riquinho é metido? Só porque é rico? Isso é pobre. As pessoas são movidas por motivações e objetivos. O riquinho é metido porque além de rico ele QUER alguma coisa. Quer ser aceito, quer ser paparicado, e geralmente ser rico não é o suficinte para isso, então ele tem que aparecer de qualquer jeito e o dinheiro é apenas um meio para conseguir aparecer.

E aí vc coloca o bendito conflito. Con-fli-to. Sem isso, seu personagem não é nada. É uma coisa estática e chata. Conflito é quando Deus e o mundo se colocam entre o personagem e seu objetivo. É quando mesmo com toda a grana e estrategias para aparecer, o riquinho é odiado por todos, o cachorro que era o único a ficar perto dele morre, a garota (aquela patricinha) que ele é apaixonado e coleciona fotos em segredo começa a namorar o nerd espinhento, tudo dá errado e ele tem que fazer algo a respeito.

Um personagem q ficou famoso com seus conflitos é o Homem-Aranha nos anos 60. Eu nao queria estar na pele dele, mesmo sendo um super-heroi. Mas esse é o lance que cativa. O cara é um heroi, salva vidas, faz o q é certo e vive uma aventura, mas no final do dia tem um fracasso que destrói a alma dele. Ele não pode ficar com a garota que ama para protege-la dos viloõs. O leitor quer ser o heroi mas sente na pele a dor que isso causa. Aí entra o sacrificio.

Peter Parker - Homem Aranha
Então você coloca no personagem coisas que farão ele continuar a ser o heroi ou farão ele desistir. Se o personagem acredita q tem q usar os poderes para proteger as pessoas mesmo q ele sofra horrores, coloque o por que disso. No caso do HA, o tio dele que ele respeitava pra cacete o ensinou essa coisa de responsabilidade.

Ok, mas como falamos de mangá, pegue o Naruto. Ele quer ser hokage e quer ser reconhecido. Mas ele é fraco e não consegue aprender nada direito – conflito. Depois ele consegue ser reconhecido pelo babaca do Sasuke, e tudo vai bem, mas o babaca vai ser vilão – por que? Você sabe, motivação do personagem. Mais conflito. Agora a motivação do Naruto é salvar o amigo que vai virar um casaco de pele do Orochimaru, mas ele continua um imbecil fraco. Motivação, conflito, reação. Um ciclo, percebe?

Saruto e Sasuke
Isso pode parecer cliche, mas é assim que uma historia se torna interessante. Na verdade, o clichê está em COMO você vai solucionar o problema “motivador-conflito-reação”. Usar os mesmos de sempre é ser clichê. É nessa hora que você tem o desafio de ser original. Não é preciso criar nada novo, mas algo funcional com situações criativas sem apelar para fórmulas já manjadas nos mangás, HQs e filmes.

#foiescrever

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