Book Tour – A corrente do livro

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Sempre vagando, caindo, sugado por esse abismo infinito de portais randomicos, você vê, voando ao seu lado, como se fosse um bando de gaivotas, LIVROS!, sim, livros voadores, pairando, de quando em quando, sobre casas flutuantes. Eles estão por aí há muito tempo, sempre sendo endereçados de uma pessoa a outra, como uma corrente. É uma Book Tour.

O conceito de Book Tour já é antigo, mas ainda é novidade para muita gente. Eu mesmo não conhecia por este nome.

A idéia é baseada na parceria e na confiança. E nunca se falou tanto nesses dois termos como se fala onde em dia, graças a internet, pois ela ajudou a divulgar essa e outros tipos de iniciativa.

Um Book Tour é exatamente o que o nome sugere. O livro viaja nas mãos dos leitores interessados em ler de graça ou por um pequenos custo (de frete) e comprometidos a resenhar a obra. Simples assim. Você recebe o livro na sua casa, lê, faz uma resenha em seu blog ou, sei lá, no skoob, e envia a obra para o próximo da lista. Maravilhas, heim? E se gostar, você compra xD

E hoje eu vim aqui falar sobre uma Book Tour que a Sarah Micucci, parceira da antologia Deuses, da editora Infinitum, está promovendo de seu livro Pelo Poder dos Deuses Olimpianos.

Segue a sinopse do livro:

Você já parou para se perguntar como o mundo foi criado? Claro, existem as explicações que a Bíblia nos oferece. Assim como existe a teoria da evolução de Darwin, que também se propõe, cientificamente, a explicar. E antes da Bíblia e de Darwin? Os gregos explicam! A mitologia grega revela a criação do mundo a partir de uma divindade chamada Caos. Só que nessa época o universo era bagunçado, era verdadeiramente um caos. E eis que surge um deus que traz a ordem para essa desordem: ZEUS. Com ele dá-se o início de um super time de 12 deuses, todos com poderes especiais. Cada um deles tem uma história fascinante que se desenrola num reino encantado chamado Olimpo. Você vai se encantar com ATENA, a deusa da sabedoria, ou se enraivar com ARES, o deus da guerra, que só faz besteira. Divirta-se com as fantásticas aventuras dos doze deuses olimpianos!

Se você quiser receber o livro em casa e ser um dos pontos turísticos da turnê dessa obra, entre no blog da autora e siga as instruções.

http://imperiodosdeuses.blogspot.com/

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Download – Filme Metrópolis (Fritz Lang)

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Cartaz do filme Metropolis

Faz tempo que não trago a vocês um filme, né? Dessa vez, eis algo obrigatório a vocês, que querem escrever histórias: a versão restaurada, com cenas perdidas até 2008, de Metrópolis (link para download no final do texto).

Metrópolis (, 1927) é um filme fascinante. Considerado por muitos o ápice do expressionismo alemão, ao lado de O Gabinete do Doutor Caligari, é uma produção que ultrapassou barreiras do gênero, sendo também um marco da ficção científica e se tornando influência até os dias de hoje. É impossível passear pela grande cidade de Metrópolis e seus prédios, máquinas e transportes voadores e não se lembrar de obras como Blade Runner e Matrix. Metrópolis também serviu de inspiração para a obra homônima de Osamu Tezuka, embora (segundo o próprio) nunca tenha assistido o filme.

A trilha sonora, a fotografia, a atuação dos autores, a iluminação, tudo é feito segundo o expressionismo alemão, o que significa que tudo é voltado para retratar o estado de espírito dos personagens. Nada é erro ou exagero, tudo é intencional para este fim.

O cenário é de encher os olhos até mesmo do mais acostumado a grandes efeitos especiais e computação gráfica. Prédios soberbos, máquinas imponentes e cerca de 30.000 atores figurantes compõe um cenário aterrador, onde os trabalhadores são explorados para manter a magnífica cidade funcionando para o deleite da elite.

Preciso dizer também que, como toda bem-sucedida obra de ficção científica, Metrópolis continua extremamente atual.

Cenário do filme Metrópolis

Nada mal para um cenário da época, heim?

Mas e a história, heim?

(pode conter spoilers)

A história é sobre Metrópolis, uma grande cidade (tipo, MUITO grande), no ano de 2026, autocrática, governada por uma espécie de empresário, o poderoso Joh Fredersen. No entanto, para que Metrópolis funcione perfeitamente, foi construída uma outra cidade no seu subsolo, a cidade dos trabalhadores, onde milhares de homens vivem e trabalham em condições sub-humanas. O papel desses trabalhadores é manter as máquinas funcionando. E essas máquinas mantém a cidade, que por sua vez, mantém seus cidadãos.

Joh Fredersen possui um filho, herdeiro de Metrópolis, que, ao se deparar com a situação em que se encontram os trabalhadores (que passou a chamar de irmãos), decide ajudá-los. Mas seu pai, não muito contente com os planos dos operários, temia uma rebelião e colocou um espião para vigiá-los.

Então surge Maria, uma mulher considerada santa pelos operários. Ela os reunia em túneis secretos da cidade dos trabalhadores para pregar sua crença.

“O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração”.

Maria acalmava os homens mais revoltados com a crença do surgimento de um mediador que iria trazer a solução para os seus problemas. Ao saber disso, Joh Fredersen ordena a um cientista, que contruía um robô chamado “Hel”, que colocasse nele o rosto de Maria, e destruísse a união dos operários com discórdia e confusão causadas pela falsa “Maria”. Jon planejava que, dessa forma, os operarios se rebelassem, e assim ele tivesse motivos para responder com violência, acusando-os de insubordinação. Nada atual, não?

A partir daí, Hel se torna um simbolo da sensualidade, entretando e manipulando homens de Metrópolis, fazendo-os se matar por causa de sua sedução (é, nada atual também). E parte para sua missão de destruir a rebelião dos operários.

A melhor parte – simbolismos

Como não se poderia deixar de esperar de um filme expressionista, Metrópolis é recheado de ricos simbolismos. Só para citar alguns:

– As cenas que mostram os trabalhadores nas máquinas são primorosas. A trilha sonora, as engrenagens das máquinas e os movimentos dos que as operam são totalmente sincronizados e mostram a máquina como uma extensão do homem, ou vice-versa. Uma metáfora da tecnologia dominando o ser-humano e a primeira menção à singularidade, onde não existe mais distinção entre homem e máquina. Um conceito bem cyberpunk no início do século XX.

Maquinas de Metropolis

Máquinas e seus operários, quase um ser único.

– Quando o filho de Jon descobre a verdade sobre a situação dos trabalhadores na cidade das máquinas, ele tem uma espécie de delírio, onde uma grande máquina tomava a forma de Moloch, um monstro que engolia os operários, que eram levados por guardas e queimados vivos. Interessante mencionar que Moloch (ou Moloque) é um deus cananeu ao qual se sacrificava crianças, jogando-as no fogo. Uma interessante visão sobre a tecnologia, o capitalismo e o Estado.

Moloch de MetrópolisMOLOCH! 0____o tenso!

– Maria, quando aparece pela segunda vez no filme, é mostrada como uma santa. Seu nome é bem simbólico, e ela é retratada com toda a pureza e luz que se espera da Virgem Mãe. No entanto, ela exerce um papel muito mais interessante, o de profeta. Ao falar ao povo, trazendo uma espécie de mensagem de esperança inspirada por algo semelhante a uma revelação divida, Maria é tida como sábia, autoridade, e ninguém discute com ela. Ela sabe do que está falando e faz previsões sobre o que irá acontecer: um mediador virá e dará fim à opressão.

Maria, de Metrópolis

Maria :D

– Por sua vez, “Hel”, sua contraparte, o andróide, é a segunda menção à singularidade mostrada como demoníaca. Além do nome remeter a significados óbvios, ela é mostrada sentada em frente a um pentagrama invertido. O cientista, ao dar-lhe a aparencia de Maria, é mostrado mais como um alquimista do que homem da tecnologia moderna. E quando Hel assume seu papel no mundo, é apontada a Grande Meretriz do Apocalipse.

A Meretriz Maria/Hel, de Metrópolis

Hel, o robô prestes a ganhar a aparência de Maria

A Meretriz Maria/Hel, de Metrópolis

Hel, a Meretriz. Que coisa linda, heim?

– Outro simbolismo, que pode nos parecer clichê nos dias de hoje, mas formidavelmente aplicado, é Babel, a grande torre de Metrópolis. Dessa forma, a cidade é mostrada como uma Babilônia, que, no livro do Apocalipse, surge com a Grande Meretriz/Hel para beber o sangue dos homens.

A torre de Babel, de Metrópolis

A torre de Babel.

– E, por fim, o principal símbolo e metáfora do filme, o epigrama “O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração”, talvez fale sobre a sociedade, mas também faz com que Metrópolis ganhe inúmeras interpretações. Além de ser um filme sobre uma cidade, suas máquinas e domínio exercido pelos poderosos, pode também ser visto como uma metáfora a respeito do homem como indivíduo. Não basta usar apenas a razão para conquistar seus objetivos com as mãos, tudo irá desmoronar se não houver o intermediário, o coração, símbolo da boa consciencia, discernidor do bem e do mal.

Não falarei mais dos simbolismos que encontrei para não extender muito. Se você quiser, comente aqui quais encontrou e o que achou que ainda é atual em nossos dias.

Making of Metrópolis

Os grandes efeitos especiais. Pra que CG? :)

Clique para download do filme Metrópolis de Fritz Lang e aprecie.

Artistas fazem, hum… homenagem… ao Metrópolis.

E como curiosidade, ai vão algumas “homenagens” (ou coincidências muito grandes) de artistas ao filme. Pra começar, vejam o clipe de uma das mais famosas músicas do Queen, Radio Ga Ga, que usa cenas do filme:
http://www.youtube.com/v/cS1hrchLlDg 

E umas imagens:

Fred Mercury colocando seu rosto em Hel, no Clip de... Radio Ga Ga

Fred Mercury com seu rosto em Hel, no Clip de... Radio Ga Ga.

Lady Gaga e Metrópolis

Lady Gaga interpreta Hel de Metrópolis?

Beyonce ficou bem parecida com Hel

Beyonce ficou bem parecida com Hel.

Conhece outras homenagens artísticas? Mande pelos comentários que eu posto aqui.

Confiram também esse excelente video fan-made (feito por fã) de Poker Face, da Lady Gaga, com cenas do filme (contém spoilers, assita ao filme antes para entender melhor o vídeo):

Download e resenha do Dorama Life – Bullying Nipônico

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Dorama - Life

Life é dorama (ou J-drama, são noveletas japonesas) baseado em um mangá da autora Keiko Suenobu. Apesar do traço ser Shoujo e as personagens serem 95% femininas, não é uma história romantica, nem fofa, meiga ou coisa do tipo. É barra pesada.

O tema de Life é Ijime (Bullying, em Japones). A história é sobre os maltratos e abusos que acontecem em um colégio de gente riquinha e metida.

Ayumu é uma garota meio lerda, cuja melhor amiga tenta suicídio por sua causa. Traumatizada, ao chegar no novo colégio, não se aproxima das pessoas para não decepcionar mais ninguém. Mas para sua surpresa, Manami, a garota mais popular da sala e lider de um grupo de garotas, faz amizade com ela e se torna sua melhor amiga.

Porém, depois de um mal entendido, garotas começam a transformar a vida de Ayumu em um inferno. Vou parar por aqui para evitar spoilers.

A série tem 11 episódios e não tem “papas na língua” ao tratar de bullying. No Japão, como em qualquer outro lugar, essa pŕatica é comum nas escolas e o silêncio potencializa as consequencias. Life mostra essa realidade com precisão, as vezes até surpreendendo aqueles que não tiveram um contato muito grande com bullying. Exemplo disso são as cenas de abuso físico, sexual, psicológico, não apenas entre os alunos mas na própria instituição de ensino. É tão forte que os pais japoneses pressionaram a emissora a parar a transmissão da série por “excessividade de realismo”.
Dorama - Life
Meus dois centavos:
Foi um dos meus doramas favoritos, sem dúvida. Não só por ter conhecido muito bem a prática de bullying na infância, mas pela forma como o tema foi abordado. Não há coisas bonitinhas para enfeitar e disfarçar, não há florismos, romances, devaneios e soluções fáceis e mágicas para comover o público. É a verdade nua e crua; é aquilo e ponto final. O principal e talvez o pior de tudo é o silencio, o fechar de olhos da sociedade para o assunto. FIngir que não vê é melhor do que admitir e prejudicar a imagem.

A série surpreende com suas reviravoltas. É muito interessante acompanhar as motivações e segredos de cada personagem, mudando a direção da história. O roteiro é simples, mas não precisa de mais do que aquilo ali.

A mensagem da série é clara: Parem de fingir que o bullying não existe e façam alguma coisa. A determinação que surge nos personagens no final da série é a unica coisa que se aproxima da ficção e da esperança para quem assiste.

Trilha sonora contagiante, um bom ritmo para as cenas de ação e bom para se ouvir enquanto escreve xD

Quem quiser assistir e filosofar sobre o tema, estamos aí.

Trailer (SPOILERS!):

Dorama - Life

Dorama - Life

Download dos episódios:

Episódio 1 – http://www.megaupload.com/?d=0MAMD5L7
Episodio 2 – http://www.megaupload.com/?d=KEJEA78S
Episodio 3 – http://www.megaupload.com/?d=CYJ4GF3I
Episodio 4 – http://www.megaupload.com/?d=XOWYHR5Y
Episodio 5 – http://www.megaupload.com/?d=B2806G5V
Episodio 6 – http://www.megaupload.com/?d=NFP82FUL
Episodio 7 – http://www.megaupload.com/?d=SFAMZ77M
Episodio 8 – http://www.megaupload.com/?d=7TJVK7Y0
Episodio 9 – http://www.megaupload.com/?d=MTEVSMY2
Episodio 10 – http://www.megaupload.com/?d=DVMEMOU2
Episodio 11 – http://www.megaupload.com/?d=WH5D0JC9

 

Download – O Gabinete do Doutor Caligari

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O Gabinete do Dr. Caligari

Continuando a série de filmes que fazem parte do meu universo de referência, quero que conheçam este clássico do expressionismo alemão: O Gabinete do Doutor Caligari.

Eu não tenho a menor pretensão de dissertar sobre o expressionismo aqui. Se você não conhece ou não sabe muito a respeito, recomendo enfaticamente este artigo: O Despertar da Besta: a alma do expressionismo alemão e sua tradução estética no cinema. Nele você vai entender toda a grandeza e importância desse movimento de forma bem mais esclarecedora e com mais autoridade do que eu poderia fazer. E vai enriquecer sua cultura. Aliás, se você é autor de quadrinhos e não conhece nada de expressionismo, parabéns!, você é lerdo! Estudar os movimentos artísticos deveria ser prioridade NÃO APENAS PARA DESENHISTAS.

Aqui só me resta dizer que, na minha opinião, este gênero muito tem a ver com HQS e, princilamente, mangá e anime. A estética desse movimento de vanguarda, assim como o impressionismo, influenciou todas as mídias e os quadrinhos não ficaram imunes. A dramaticidade, as expressões faciais e corporais, os jogos de luz e sombra, o exagero, parecem ter inspirado muitos autores de mangás direta ou indiretamente.

O termo “expressionismo” no alemão tem o sentido de “retorcido”. A realidade é retorcida para expressar sentimentos dos personagens. Embora o cenário dos animes e mangas seja bem realista, muitos são os casos de distorção do corpo humano para demonstrar sentimentos, golpes de luta ou uma situação engraçada.

Eu não encontrei nenhuma citação a respeito da influencia do expressionismo alemão em específico sobre mangas e animes. Mas para meus olhos míopes, eles estão lá. Disfarçados, embelezados e plastificados em uma estética pop, mas estão lá. Talvez até o superflat tenha suas raízes no expressionismo. Ou não.

Tire suas conclusões. Baixe O Gabinete do Doutor Caligari, ápice do expressionismo alemão, assista, e comente ali embaixo. Você pode encontrar outro clássico do expressionismo aqui: Metrópolis, de Fritz Lang.

Simuladores de Anatomia em 3D para Referência

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Eu já mencionei antes a importância do conhecimento da anatomia realista para artistas que possuem traços mais caricatos. Pois agora trago um pacote de programas 3D com modelos bem melhores que aqueles manequins de madeira que você comprou pelo olho da cara.

Nos programas você pode mudar a posição dos modelos, ver de vários angulos, aproximar sua visão, alterar a cor e posição da luz ambiente e a visualização de realista para um traço mais “rascunho”.

São 60 poses na versão masculina que você pode abrir em “Load Pose”. Cada uma delas é uma animação; ou seja, cada uma das 60 animações pode ser “deslizada” em várias poses diferentes. A versão feminina possui 30 poses. Tem ainda a versão “Hand”, ou mão, a de Expressões Faciais e a de Musculatura e Esqueleto.

Os programas são simples e com alguns minutos você aprende os comandos, mas qualquer dúvida pergunte nos comentários e eu respondo.

E o melhor de tudo, os programas são leves e pequenos em comparação a outros do gênero.

O único inconveniente são as janelas que aparecem frequentemente pedindo para registrar o produto. Se alguem souber como resolver esse probleminha, avisem xD

Sirvam-se.

3D VFDS Male (Virtual Figure Drawing Studio – Versão Masculina)

VFDS Male VFDS-Male

3D VFDS Female (Virtual Figure Drawing Studio – Versão Feminina)

VFDS Female VFDS - Female VFDS - Female

3DVHS (Virtual Hand Studio – Mãos)

3D FXs (Facial X-pression Studio – Expressões Faciais)

3DFXs

3D VHAS (Virtual Human Anatomy Studio – Musculos e Ossos)

3D VHAS

Baixe também livros de anatomia para referência.

Will Eisner – Profissão Cartunista

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Capa da ediçao americana do DVD

Este mini-documentário sobre a vida e obra do mestre Will Eisner faz parte da série mundialmente premiada “Profissão Cartunista“, dirigida por Marisa Furtado e Paulo Serran da produtora carioca Scriptorium, em  parceria com a S-TV (Rede SESC SENAC de Televisão).

É dividido em três episódios:

  1. Spirit
  2. O Sonho
  3. Master Class, abordando a vida e a obra do renomado artista norte-americano, em uma minuciosa narrativa da trajetória daquele que é considerado o mais importante desenhista vivo de quadrinhos, criador do Spirit e dos conceitos de Graphic Novel e Arte Seqüencial.

Will Eisner dispensa apresentações. Sua obra mudou o rumo dos quadrinhos no mundo inteiro e influenciou gerações de artistas até os dias de hoje. Em uma época em que os super-heróis de colante surgiam por toda parte, Eisner preferiu abordar temas mais próximos da realidade dos seus leitores, e criou heróis e vilões que, mesmo sem super-poderes e roupas coloridas, cativou multidões com Spirit e com Graphic Novels, como Um Contrato com Deus.

Mas se você é inafortunado a ponto de não conhecer este mestre, não deixe de ler o artigo na wikipédia sobre Will Eisner.

Neste especial sobre Eisner, a produção traz entrevistas com grandes artistas, como Art Spiegelman, Bill Sienkiewicz, Denis Kitchen, Jerry Robinson, Angeli, Mauricio de Sousa, Guazzelli, Ota e Ziraldo.

Página de The SpiritPágina de The Spirit

Baixe este ótimo documentário completo clicando aqui: Will Eisner – Profissão Cartunista

Tommy – A Ópera Rock do The Who

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Capa do DVD Tommy

É dificil falar da importância da ópera rock Tommy. É difícil até mesmo falar qualquer coisa a respeito dela. Embora poucos hoje em dia a conheçam (a maioria, fãs de classic rock), o filme é um marco na história do rock e dos musicais.

Tommy surgiu inicialmente como um disco duplo de hard rock, da banda The Who, composto por Pete Townshend, que logo se tornou um sucesso. O filme foi lançado em 1975, trazendo estrelas como Elton John, Tina Tunner, Eric Clampton, Oliver Reed e Jack Nicholson (fala sério, você vai perder a oportunidade de ver um já velho Jack Nicholson na década de 70 CANTANDO?).

Eric Clapton e Marilin Monroe

Tommy é sobre um rapaz que, devido a um trauma de infância, é surdo, cego e mudo e se torna um campeão de… pinball! Coloque aí elementos psicodélicos, MUITA crítica social, ironia, sarcasmo e, claro, rock’n roll.

Eu poderia ficar horas escrevendo sobre o filme, a música, o elenco, a direção… há muito o que pode ser dito sobre Tommy. Mas deixo a análise sobre o filme para pessoas mais competentes. Você pode encontrar aqui. Quero apenas comentar sobre o motivo deste filme ser importante para mim, como público e como pretenso autor, e compartilhar essa obra com você.

O principal motivo é devido ao fato de Pete Townshend ser um gênio capaz de falar tantas coisas em tão pouco tempo. Pete é famoso por suas críticas, mas creio eu que em Tommy ele atinge seu ápice. Nada escapa. Religião, sociedade, estado, família, drogas, prostituição, vaidade, ciêmcia; tudo é criticado com acidez e sagacidade. Tommy é, acima de tudo, uma crítica ao comportamento humano em geral e a necessidade que as pessoas carregam de seguir alguém, um líder, um campeão, um messias, quem quer que traga alguma promessa de curar/salvar/redimir. Mas, curiosamente, ninguém, seja religioso ou cientista, é capaz de curar Tommy – a não ser ele mesmo!

O Pequeno Tommy

No fundo, essa é a mensagem do filme. O caminho da cura e da iluminação está dentro de cada um de nós. Isso é mostrado no filme através das cenas em que Tommy se encara diante o espelho.

Tommy também é um filme altamente simbólico. Tanto que se você deixar passar os simbolismos, você perde grande parte da mensagem e da crítica. Isso também é importante para nós, criadores, percebermos como simbolismos auxiliam a tornar uma obra grandiosa por fazerem parte do inconsciente coletivo e geralmente carregarem um significado que não poderia ser facilmente explanado de outra forma.

Há também o fator psicológico que, não poderia ser diferente devido à época, é trazido no psicodelismo. É preciso prestar atenção a isso pois na sociedade de hoje o psicodelismo pode não fazer muito sentido.

E, claro, a música de Tommy é memorável. Os integrantes da banda The Who tem participação em ótimas performances, como Keith Moon interpretando o perverso tio Ernie e o próprio Roger Daltrey como Tommy. Elton John é o Pinball Wizard, que joga uma máquina de pimball que no lugar de botões possui um teclado de piano. Eric Clapton é um padre em uma igreja que adora Merilin Monroe e promete cura aos doentes. Tina Tunner é uma prostituta que promete resolver todos os problemas com seu “ácido” – LSD para os noobs. Jack Nicholson é um médico que dispõe de todo o conhecimento atual. Oliver Reed é um diretor de acampamento que parece ser o cara mais legal, simpático e honesto do mundo – mas o subtexto demonstra o contrário. Todos eles e os demais fazem uma participação musical excelente.

Elton John - The Pimball Wizard

Isso é tudo o que posso dizer sem spoilers,  se bem que já dei alguns. Tommy é um filme que talvez não faça o seu gênero e talvez você até o odeie – mas ainda assim vale a pena conhecer. Não é sempre que se vê algo tão maluco e tão denso, profundo e complexo ao mesmo tempo.

No mais, assistam ao filme e façam suas próprias considerações.

Clique para baixar os arquivos zipados: http://tommy-movie.4shared.com

SENHA: https://abismoinfinito.wordpress.com

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