Editora não cumpriu o contrato – Falta de estrutura para administrar ou pilantragem mesmo?

6 comentários

Semanas atrás postei um texto aqui falando sobre uma editora que não cumpriu o contrato que assinou comigo. Comentei lá que não iria divulgar nomes a menos que eles não manifestassem interesse em resolver a situação de forma amigável. Bem, entrei em contato por email pedindo explicação sobre cada um dos pontos do acordo em que eles pecaram e, bem… a resposta que obtive foi uma distorção do contrato. Pois é.

Então, preciso dizer que tomem muito cuidado ao negociar com o senhor Dioener Pires, editor da Diga Comics, e o senhor Tiago Gales, CEO da supracitada editora, CNPJ de numero 11.912.759/0001-67, responsáveis por negociar a impressão da revista Quadrinize e distribuí-la no estado do Espírito Santo, Belo Horizonte e em sua loja virtual.

Não entrarei em muitos detalhes do e-mail que recebi, até por conter informações pessoais de diversos funcionários da editora. Sim, o editor Dioener divulgou problemas pessoais de todos os funcionários para justificar o “atraso” para me dar o posicionamento pendente há quase um ano. A ética manda um abraço.

Eu não sei quanto a vocês, mas eu procuro cumprir com meus deveres profissionais apesar de meus problemas pessoais. Pois as pessoas que me contratam e que eu contrato nada tem a ver com minha vida pessoal. Queremos o serviço pronto como diz o contrato. Claro que sempre há espaço para diálogo, mas pra isso deve existir comunicação. A maior cagada da Diga Comics foi o silêncio de quase um ano pra então chegar a esse ponto de eu me sentir na obrigação de alertar outros autores a respeito deles. Triste.

Também me chamou a atenção o senhor Dioener me dizer que ainda não escolheu um servidor para seu site e loja virtual. Eu nem sei há quanto tempo o site da Diga está fora do ar. Não dá pra levar a sério uma empresa que sequer consegue cuidar de um assunto tão importante e fácil de resolver.

Mas o que não deu pra engolir foi o argumento de que as 400 revistas que ficaram em posse da Diga Comics para distribuição pertencem a eles para pagar o serviço! WTH? O valor que acordei em pagar não é nem metade do valor de 400 revistas. Além disso, o contrato é claro: após o vencimento (já venceu), eu deveria receber todas as revistas de volta. Bem, estou esperando.

Por último, fui cobrado do pagamento do valor de 10% do valor das vendas, previsto no contrato. Mas esse valor era pela prestação do serviço de vendas na loja virtual, que não chegou a acontecer nem durante um mês inteiro. Também ficou acordado que eu pagaria com as vendas do material em mãos da editora e, caso eles não vendessem o suficiente para cobrir a soma, eu pagaria das minhas vendas. Mas como fazer isso se eles jamais me deram um relatório de vendas, jamais me repassaram meus direitos, jamais nada?

Bem, o objetivo desse post é cumprir o que avisei no anterior: expor a editora caso não se mexam pra resolver o problema. Não se mexeram. Enviei uma resposta às justificativas falhas do sr. Dioener, avisei por MSN e até agora, quase um mês depois, não houve resposta.

Eu duvido muito que a Diga Comics ou o sr. Dioener volte a investir nos quadrinhos depois do fiasco que tem se mostrado até agora. Mas caso vocês se deparem com eles para negociar alguma publicação… bem, é com vocês. As explicações do editor mostraram não apenas má vontade pra resolver a situação como, no mínimo, um total despreparo e falta de estrutura para administrar uma empresa.

Ingenuo fui eu, ao acreditar nas garantias de vendas arrasadoras feitas pelo sr. Tiago Gales.

Alguém aí mais foi “picareteado” por alguma editora? Acho que é importante nós, autores, nos posicionarmos publicamente para mostrarmos que não somos mendigos desesperados por atenção editorial e que leva calote mansamente. Tem muita gente que tem medo de expor editoras picaretas por medo de se queimarem e não serem mais publicados. Mas uma editora não é nada sem autores. Por mais clichê que a frase possa ser, “o poder é do autor”. Acho que é hora de expor as falcatruas, que já duram décadas, desde que o mercado é mercado.

Anúncios

Editora não cumpriu o contrato. E agora, José?

6 comentários

Há um tempo atrás assinei um contrato com uma editora de quadrinhos para publicar um trabalho meu. Tudo parecia muito bacana, muito interessante e promissor… até o momento de cumprirem a principal parte do processo. Pagar meus direitos pelas vendas das edições, claro.

Na verdade, a editora não foi a responsável pela publicação. Eu banquei todos os custos da edição. O serviço que eles prestariam era de distribuição. Na época, eu não tinha nenhuma condição de distribuir nada, sequer de colocar um número de ISSN na revista, coisa que as livrarias exigem para colocar qualquer publicação em série nas suas prateleiras (a menos que se trate de fanzine em consignação). Então, como era uma editora “disposta a investir no mercado de HQs nacionais”, eles usariam o cadastro deles na agência responsável pelo cadastro de ISSN, disponibilizariam a revista em sua loja online, comercializariam em livrarias locais (do estado deles) e nos eventos em que participassem. Era mais uma parceria entre dois colegas de trabalho que queriam impulsionar o mercado.

Também fazia parte do acordo que eles intermediassem o meu contato com a gráfica. Ou seja, eu paguei, mas só eles tinham acesso a empresa responsável pela impressão.

Segundo o contrato, eles deveriam me enviar um relatório de vendas em determinado período. Também deveriam ter enviado a nota fiscal da gráfica. Também segundo o contrato ficariam com 40% da tiragem para vender e me repassar 90% do bruto.

Agora tentem adivinhar: eu recebi algum desses serviços?

Exceto o intermédio com a gráfica, não.

Não recebi nota fiscal, não recebi relatório de vendas, meu produto não está à venda na loja virtual (que nem está mais online), não vi sequer uma foto dos eventos (embora tenham me relatado uma meia dúzia de palavras a respeito), não recebi um centavo furado das vendas (e vendeu?).

Ainda segundo o contrato, ao fim da validade do mesmo, a editora deveria me devolver as edições restantes. Até agora nem sinal.

Bem, não preciso dizer mais nada, né?

Tentei contato várias vezes. Depois esqueci, depois não tive tempo, depois tentei de novo e deixei quieto. Sou muito bonzinho nessas coisas, acredito no bem da humanidade e que as pessoas são de coração puro que nem os Ursinhos Carinhosos (e isso ainda vai me matar), mas paciência tem limite. Recentemente li uma notícia sobre uma editora que nunca existiu e enganou e prejudicou o sonho de muitos jovens autores. O texto me fez pensar que o mesmo que aconteceu comigo pode estar acontecendo com as centenas de quadrinhistas, fanzineiros e pessoas que sonham em fazer HQs que passam por esse blog todos os dias. São pessoas que desconhecem esse lado obscuro do mundo editorial, lado que eu já conhecia 10 anos atrás, nos idos tempos da Sequential Artists. Isso ainda existe e continua atropelando sonhadores inocentes e ingênuos.

E eu decidi que, se depender de mim, isso não vai mais acontecer. Ou pelo menos as pessoas que aqui passam ficarão avisadas de algumas coisinhas que acontecem desde que meu avó tinha dentes.

Durante os anos, acumulei alguma experiência e, mesmo acreditando na bondade do ser humano, lá no fundo, sei que ela às vezes está muito bem escondida em meio aos entulhos do egoísmo, malandragem, do desejo de se dar bem independente dos meios.

Em breve atualizarei a situação do meu caso, caso eu receba retorno da editora.

Também postarei algumas dicas usando o que aprendi nessa experiência para que você seja vacinado contra a pilantragem editorial.

Depois o mercado não avança e ainda não se sabe o porquê. Tá, senta lá.

Quanto a esse meu caso em específico, nao sei dizer se foi pilantragem mesmo ou um caso de boas intenções que morreram na praia deixando a empresa atolada de dívidas. Mas a falta de comunicação levanta suspeitas, né? Vamos aguardar para ver qual é.

%d bloggers like this: