Antologia de Contos “Lugares Distantes”

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Antologia Lugares Distantes

Onde não há olhos para vigiar ou lei para punir, os instintos mais selvagens despertam. Casebres no meio do nada, sítios, florestas, esgotos da cidade, comunidades e seitas religiosas secretas, planetas remotos – lugares esquecidos ou jamais vistos pela sociedade são o palco de atos inconcebíveis.

Quais leis seriam adotadas? Para onde a vítima poderia fugir? E se algum desavisado adentrasse nesse território?

Violência física ou psicológica em uma terra de ninguém. Vale tudo onde a única coisa capaz de parar o homem é sua própria consciência – se ele a tiver.

Refugie-se nos lugares mais distantes de sua mente. Ninguém estará lá para ver.

A Infinitum Littera apresenta sua primeira antologia de contos em e-book. E tem o prazer de convidar você, autor, a invadir lugares inóspitos, trazendo à luz o pior que a mente humana pode fazer quando nada mais a impede. Em Lugares Distantes e inquietantes, não haverá para onde o leitor fugir e ninguém o ouvirá gritar.

Veja o post do concurso no blog da Infinitum Littera.

Chamada para antologia Lugares Distantes

Clique para ampliar o cartaz da chamada para a antologia Lugares Distantes

Debute Literário

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Fui selecionado para participar de uma antologia da promissora editora Estronho e terei meu debute literário em uma coleção de respeito. Confesso que quando vi a lista dos escolhidos fiquei surpreso. Eu não esperava mesmo por isso. E ainda meu nome apareceu errado, então fiquei na dúvida, roendo as unhas durante dois dias, pra só então descobrir que eu já havia recebido um e-mail de confirmação. O hotmail havia mandado para a caixa de spam.

O Extraneus é uma série de antologias de contos de literatura fantástica. O volume 3, do qual estou participando, se chama “Em Nome de Deus”, e segue a seguinte premissa:

Capa do livro Extraneus

O que o homem – ou quem sabe até outros seres – são capazes de fazer em nome de uma religião ou seita? A que deus eles atribuem suas loucuras? Quais são as justificativas – se é que elas existem – para a incoerência entre a fé e  os atos, muitas insanos e repugnantes? Por que diabos eles matam em nome de um deus? Reze por sua alma… reze pelos seus pecados… reze… Isso tudo adianta? Os autores convidados e os interessados em participar estão tentando responder a essas e muitas outras perguntas. E m breve o resultado da seleção do volume 3 estará disponível aqui no site. Prefácio de Alessandro Reiffer que junto com os autores convidados, esperam por companhia para rezar com você… ou não.

Os selecionados foram: Adriana Pueblo, Bethânia Amaro, Bruno R. R. Santos, Celly Borges, Daniel Cavalcante ( o/ ), Fernando Salvaterra, Leonilson Lopes, Lino França Jr. , Luciano Alencar, Marcelo Augusto Claro, Monique Rodrigues e Sheilla Liz.

A medida que as novidades sobre a publicação forem divulgadas pela editora, postarei aqui.

Não é por isso que já estou me achando escritor profissional. Nada disso. Ainda há um longo caminho a percorrer. Mas a estréia é especial, né? Então vou tratá-la como tal.

Contos do Abismo – Corredores Fantasmas

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Corredores Fantasmas

(Crônicas Sobrenaturais do Colégio Marista)

Trilha sonora: Theatre of Tragedy – Siren


Essa não, essa não!

Marquinhos estava apavorado. Corria pela Avenida Presidente Vargas como quem faz maratona – pelo menos foi o que ele pensou. A respiração ficava cada vez mais pesada, os pulmões ardendo.

Estava atrasado para o primeiro dia de aula.

Não que isso traria algum problema. Sabia que no primeiro dia não haveriam muitas regras. Era dia de conhecê-las para então serem seguidas em todos os outros dias do ano letivo. O medo de Marquinhos era outro.

Entrou na rua Prestes Maia, correu mais um quarteirão e logo deu de cara com a imponente construção onde estudaria aquele ano. Era um complexo de prédios antigos, marrom, arquitetura inglesa, algumas imagens religiosas. Por trás do prédio à sua frente, Marquinhos via a enigmática ponta de uma pirâmide cristalina. O portão ainda estava aberto sob o arco metálico no qual se desenhava as letras “Colégio Marista”.

Não havia uma única viva alma. O completo silêncio denunciava que a chamada dos alunos no pátio para distribuí-los em suas salas de aula já acontecera. Todos já haviam sido encaminhados e já estavam conhecendo seus professores.

Preferiu que o portão estivesse fechado e fosse obrigado a voltar para casa.

Embora Marquinhos sempre sonhara em estudar no Marista ao lado da elite da cidade, estava agora intimidado. Não conhecia o que havia por trás daqueles pesados portões de aço. Se sentia derrotado. Nas vésperas do primeiro dia de aula, fizera o caminho de sua casa até o colégio sete vezes para que não se perdesse logo no primeiro dia. Mas cochilar no ônibus e descer no ponto errado o fez caminhar quarenta e cinco minutos a mais do que o cronometrado. Agora estava sozinho em território estranho, sem noção alguma do que fazer.

Ou melhor, era óbvio que tudo o que precisava era ir até a secretaria e perguntar onde era sua sala. A secretária perguntaria seu nome, ao que ele responderia “Marcos Assunção”. Ela lhe diria onde teria que ir, provavelmente o acompanharia para que não se perdesse nos corredores. O introduziria na sala, interrompendo a aula, todos o olhariam, rindo, e logo depois o episódio seria esquecido. Fim.

Mas Marquinhos tinha um inexplicável pavor do primeiro dia de aula. Não era raro, nas férias de dezembro, sonhar com esse dia. Nos sonhos, ele sempre chegava atrasado e ninguém apareceria para guiá-lo. Sempre acordava com a sensação desesperadora de estar em um lugar estranho sem saber onde ir ou o que fazer. Perdido.

Procurou não pensar nisso. Arrumou o cabelo encaracolado e entrou no prédio, encarando o imenso pátio que se estendia à sua frente. Ao redor, algumas salas com portas fechadas. Na parede do lado direito havia um grande mural com os nomes dos alunos e suas respectivas classes. “Que sorte”, pensou. Bastava encontrar seu nome e depois procurar sua sala.

Mas para sua surpresa, não encontrou seu nome. Procurou em todas as classes da sexta série e não havia nenhum Marcos Assunção. Certamente alguma secretária incompetente se esquecera dele ao fazer a lista.

Desanimado, perambulou pelo pátio forrado com paralelepípedos e cercado por plantas bem podadas formando um pequeno muro. Tentava criar coragem para procurar a secretaria e perguntar sobre sua sala. Ficou apavorado. E se dissessem que não estava matriculado? Que se enganara, que não havia nenhum Marcos Assunção, que não deveria estar ali? E se não estivesse mesmo matriculado? Se sua mente houvesse pregado uma peça, fazendo-o acreditar que estudaria no colégio dos seus sonhos quando na verdade ainda estudava no Colégio Municipal São Vicente? E se estivesse enganado e aquele não fosse o dia certo do início das aulas?

Estava paranóico e cada vez mais tinha medo de procurar alguém e levar uma bronca. Ou de rirem dele.

Quando se virou, já pensando em ir embora dali, se deparou com um rosto lívido que o encarava. Deu um salto para trás. O coração disparou e sentiu o sangue fugir do rosto.

Era uma garota. “Que sorte”, pensou, recobrando-se e esboçando um sorriso. Não ficaria sozinho, enfim. Ela sorriu de volta, abertamente, exibindo um par de covinhas sapecas nas bochechas.

A menina simpática tinha ar de malandrinha, olhos vivos e cabelos dourados, com cachinhos nas pontas. Marquinhos sentiu o coração disparar novamente, mas agora por outro motivo. Os olhos dela eram brilhantes e o encaravam, firmes.

Também chegou atrasado?

Ah, ela quebrara o gelo. Marquinhos agradeceu por ter companhia. Talvez fosse uma veterana do Marista e soubesse lhe guiar pelo colégio.

É… o ônibus demorou a passar e perdi a hora – mentiu ele.

Já encontrou seu nome na lista? – disse ela, dirigindo-se ao mural.

Hã… sim, claro. E o seu?

Aqui. Fernanda dos Santos. Classe “6ª A”.

Que ótimo, é a minha sala também! Você sabe onde fica?

Claro! Vem comigo.

Tudo dera perfeitamente certo. Claro que, ao mentir sobre sua sala, Marquinhos calculara duas possibilidades. Ao chegar na classe, poderia descobrir que seu nome estava na lista de chamada e que realmente estava matriculado na “6ª A”. Mas o mais provável era que, se não estava na lista do mural,também não estivesse na lista de chamada da 6ª A ou de nenhuma outra sexta série. Nesse caso, argumentaria o quanto o colégio fora desorganizado e incompetente ao informar corretamente seus alunos e exigiria que fosse colocado na “6ª A” devido ao seu histórico escolar e pela companhia agradável de Fernanda. Bem, era melhor que esse segundo motivo fosse omitido.

Marquinhos seguiu a garota pelo pátio enquanto conversavam. A companhia dela era agradabilíssima e aquecia seu coração. Quase não notou a imponente arquitetura do colégio e nas diversas imagens de Maria e do Menino Jesus espalhadas por todo canto quando adentraram os imensos corredores. As portas de ambos os lados, uma atrás da outra, estavam todas fechadas e o silêncio em todo lugar onde percorriam era sepulcral. Mas ele não reparou mais nisso quando Fernanda começou a lhe contar sobre suas histórias no Colégio Marista nos anos anteriores, suas amigas, professores, as peripécias e molecagens que gostava de comandar…

As histórias que ela contava pareciam dar movimento aos corredores sem-vida. Marquinhos quase podia ver crianças correndo, dividindo lanches e brincando, enquanto Fernanda e sua amigas planejavam alguma malandragem com o zelador, que morava no quintal do colégio, do outro lado do prédio. Podia visualizar os professores e diretores enlouquecidos com sua mania de usar o uniforme por baixo de roupas comuns, de levar livros românticos para ler durante as aulas chatas, mascar chiclete e humilhar meninos que tentavam alguma gracinha.

Eles pareciam amigos de muitos anos e Marquinhos não estranhou quando reparou uma cicatriz um pouco abaixo das clavículas delicadas.

Os corredores eram cada vez mais extensos e agora pareciam um labirinto sem fim. Gradualmente, Marquinhos viu surgir buquês de flores por todo lado. Estranhou por um momento e fez menção de olhar para trás, mas Fernanda o surpreendeu, dando gritinhos alegres por se lembrar de mais um episódio divertido de seus dias no Marista. A voz doce e alegre o enfeitiçava por completo e seus gestos, o encantavam. Ele poderia ficar ao seu lado, conversando, pelo tempo que pudesse. Já não pensava mais na lista de nomes ou na agitação do primeiro dia de aula. Estava em perfeita paz.

Ninguém os ouvia, ninguém os via. Parecia que estavam caminhando pelos corredores floridos e desertos ha muito, muito tempo. Algumas vezes, Marquinhos achava que vira pessoas andando por todo lado, o sinal tocando, professores e alunos correndo. Mas logo que voltava a prestar atenção à voz de Fernanda, tudo voltava a ser como antes – infindáveis corredores cinzentos e sem vida.

Os anos se passaram. Crianças vinham para os seus primeiros anos escolares, se formavam e nenhum deles deixou o Marista sem ao menos um dia sentir um calafrio na espinha ao passar pelos corredores do primeiro prédio ou sem achar ter visto um garoto de cabelos encaracolados caminhando sem uniforme, como se fosse o primeiro dia de aula procurando sua sala. Outros diziam ter visto uma menina loira e de covinhas nas bochechas ao seu lado, sorrindo em meio aos buquês.

Durante décadas a historia assustou e fascinou alunos, ganhando inúmeras versões. Mas todas elas traziam à memória o dia mais vergonhoso do colégio Marista – o assassinato de uma aluna pelo zelador do colégio, em 1979. O corpo jamais foi encontrado. Muitos diziam que estava enterrado em algum lugar das dependências do Marista. Os mais antigos funcionários conheceram a amável vítima e guardavam, com carinho, recortes de todos os jornais e revistas onde a notícia fora publicada na época em curtas notas:

A menor Fernanda dos Santos, 13 anos, aluna da sexta série A do Colégio Marista, foi morta por João Luís da Costa, zelador da instituição, no primeiro dia de aula, segunda-feira. Os motivos são desconhecidos. Amigas da vítima afirmam que Fernanda, aluna do Marista desde a primeira série, gostava de pregar peças no zelador, mas que ele nunca pareceu se incomodar com isso. Querida por todos, embora desse trabalho aos professores, Fernanda recebeu homenagens de alunos e funcionários do colégio, que cobriram com flores os corredores do prédio onde a aluna costumava brincar. João Luís foi condenado a 20 anos de prisão e está sendo investigado por suspeita de estupro e pedofilia.

Os funcionários lembravam-se da menina com tristeza e não davam crédito às histórias de fantasma, mas se perturbavam ao ouvi-las, pois não havia foto ou registro público que descrevesse Fernanda com tanta exatidão quanto era retratada pelos alunos que afirmavam terem-na visto.

Segundo as lendas que percorrem as salas de aula, o fantasma continua pelos corredores, procurando pela companhia de alunos recém-matriculados no colégio. Os novatos sempre ouvem essa história no seu primeiro dia de aula como um alerta para não caminhar com nenhuma garota de covinhas pelos corredores. Os céticos riem, mesmo quando, ano após ano, para a perplexidade das secretárias embaraçadas, o nome de Fernanda dos Santos se encontra na lista do mural, matriculada na “6ª A”.

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Este conto faz parte da série Colégio Marista. São histórias fantásticas que ocorrem no cotidiano deste misterioso lugar povoado por alunos, professores e… coisas – vampirosbruxas,lobisomens,demôniosanjos,erêsinccubus,succubus e sabe Deus o que mais.

Novos Rumos, Mesmo Abismo

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Literatura te dá asasQuem acompanha esse e meus outros blogs sabe que sou um roteirista de quadrinhos sempre à procura de desenhista para minhas histórias.

Pois bem, decidi que essa procura tomou muito do meu tempo e o retorno foi praticamente nulo. Desenhistas que desistiram logo no início, desenhistas que enrolam até hoje… e minha produtividade como autor ficou comprometida. Estou envelhecendo e a marca que eu quis deixar para vocês ficou apenas no mundo das idéias.

Então, resolvi fazer  o que já deveria ter feito há muito tempo: investir em algo que dependa apenas de mim, minha capacidade, talento e esforço – a literatura.

Sei que a maioria de vocês visita esse blog pelas dicas de roteiro e criação de HQs. Infelizmente, aqui não terá mais esse tipo de material. É tempo de olhar para as novas possibilidades que se abrem e projetos que surgem nesse Abismo Infinito de ideias e ideais.

Não desisti dos quadrinhos. De forma alguma. E continuo escrevendo a respeito. Se é sobre criação de quadrinhos que você quer saber, corre para a Quadrinize, onde me juntei a outros para abordar tudo o que acharmos necessário. Se ainda não conhece o site, entra lá que tem muita coisa boa. E ainda estou à procura de desenhistas para meus projetos, agora engavetados. Mas não posso mais dar prioridade a isso. Não enquanto não houver artistas comprometidos seriamente com algum dos projetos.

No entanto, aqui no Abismo trarei meus projetos literários – contos, noveletas e o que mais surgir, como a série “Colégio Marista” -, divulgação de eventos interessantes, entrevistas com autores e editores, dicas de leitura e de escrita (o que também servirá para você que quer escrever HQs), downloads de tranqueiras, talvez resenhas e pensamentos e considerações de assuntos de qualquer espécie.

Em suma, muita coisa vai mudar por aqui; já está mudando há algum tempo, aliás. Mas eu tenho certeza que vocês que me acompanham durante todo esse tempo não irão se decepcionar. Continuem acompanhando, continuem lendo, pois eu continuo o mesmo. Apenas estou expandindo horizontes.

Talvez vocês até decidam fazer o mesmo. Vale a pena.

Contos do Abismo

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Contos - Colegio Marista

Estreando os Contos do Abismo, apresento-lhes a série “Colégio Marista – Contos Sobrenaturais“.

Como o nome sugere, são histórias fantásticas que ocorrem no cotidiano deste misterioso lugar povoado por alunos, professores e… coisas – vampiros, bruxas, lobisomens, demônios, anjos, erês, inccubus, succubus e sabe Deus o que mais.

Por alguma razão, eles estão ali. Que mistérios fazem com que o Marista seja tão interessante para essas criaturas? O que fazem ali todos eles, reunidos no mesmo lugar? Coincidência? Conspiração? Por que nunca houve uma investigação apurada sobre as mortes e desaparecimentos nas dependências da instituição? Neste colégio, ninguém está seguro. Nem mesmo as criaturas sobrenaturais que o frequentam.

Cada conto é independente, se encerra em si mesmo e apresentará uma nova criatura, novos personagens. Aos poucos, serão revelados detalhes sobre uma trama maior, interligando todas as histórias, como um romance fix-up.

Essas histórias não tem muita pretensao além de praticar minha escrita, entreter você e saber sua opinião. Portanto, acompanhem e comentem. Ajudem um escritor a evoluir.

Aqui colocarei a lista dos contos à medida que forem postados, na sequência:

Conto #1 – Corredores Fantasmas

Conto #2 – Morte 2.0

Conto #3 – Cartas do Vampiro

Conto #4 – A Capela

 

Decálogo do perfeito contista

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por Horacio Quiroga

Achei interessante para quase qualquer gênero de narrativa. Inclusive HQs.

I

Crê num mestre – Poe, Maupassant, Kipling, Tchekov – como na própria divindade.

II
Crê que sua arte é um cume inacessível. Não sonha dominá-la. Quando puderes fazê-lo, conseguirás sem que tu mesmo o saibas.

III
Resiste quanto possível à imitação, mas imita se o impulso for muito forte. Mais do que qualquer coisa, o desenvolvimento da personalidade é uma longa paciência.

IV
Nutre uma fé cega não na tua capacidade para o triunfo, mas no ardor com que o desejas. Ama tua arte como amas tua amada, dando-lhe todo o coração.

V
Não começa a escrever sem saber, desde a primeira palavra, aonde vais. Num conto bem-feito, as três primeiras linhas têm quase a mesma importância das três últimas.

VI
Se queres expressar com exatidão esta circunstância – “Desde o rio soprava um vento frio” -, não há na língua dos homens mais palavras do que estas para expressá-la. Uma vez senhor de tuas palavras, não te preocupa em avaliar se são consoantes ou dissonantes.

VII
Não adjetiva sem necessidade, pois são inúteis as rendas coloridas que venhas a pendurar num substantivo débil. Se dizes o que é preciso, o substantivo, sozinho, terá uma cor incomparável. Mas é preciso achá-lo.

VIII
Toma teus personagens pela mão e leva-os firmemente até o final, sem atentar senão para o caminho que traçaste. Não te distrai vendo o que eles não podem ver ou o que não lhes importa. Não abusa do leitor. Um conto é uma novela depurada de excessos. Considera isso uma verdade absoluta, ainda que não o seja.

IX
Não escreve sob o império da emoção. Deixa-a morrer, depois a revive. Se és capaz de revivê-la tal como a viveste, chegaste, na arte, à metade do caminho.

X
Ao escrever, não pensa em teus amigos nem na impressão que tua história causará. Conta como se teu relato não tivesse interesse senão para o pequeno mundo de teus personagens e como se tu fosses um deles, pois somente assim obtém-se a vida num conto.

Retirado do Ofício Literário.

Entrevista com Gian / Tarja Editorial

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Editora Tarja Editorial

Sábado, meu último dia em São Paulo, fui no Science’n’Fiction – depois postarei a respeito. Lá havia uma sala com stands das editoras Draco e Tarja Editorial. Eu já sabia que meu antigo colega e roteirista de quadrinhos Gian era um dos donos da Tarja Editorial, mas não esperava encontrá-lo por lá. Foi uma surpresa legal, porque não nos falávamos desde… desde… sei lá, 2000, eu acho.

Conversamos um pouco, meio naquelas… porque, né? Fazia tempo. Mas no final do evento trocamos umas boas idéias e o Gian, como sempre falando pelos cotovelos, concordou em gravar uma entrevista.

Ajudei ele a carregar o estoque e fomos até uma lanchonete, onde ele almoçou um cachorro quente às 7 da noite enquanto me contava anedotas sobre o mercado editorial e depois gravamos a entrevista.

Falamos sobre mercado editorial, novos autores nacionais, leitores, formação autoral, jornada do herói / Joseph Campbell, dicas para escrever e a função do editor. Vale muito a pena para quem lida com HQs também, pois a maioria das dicas serve para qualquer área artística.

Depois da entrevista, ainda ganhei três livros com dedicatória xDDD
Depois posto o release aqui no blog.

A Tarja Editorial é uma editora que atua há 3 anos no mercado e tem lançado livros de literatura fantástica (fantasia, terror, ficção científica, cyberpunk, steampunk, etc), sendo alguns deles romances e outros antologias de contos. Entre suas publicações estão a coleção Paradigmas, a antologia Steampunk – Histórias de um Passado Extreordinário e o romance Cyber Brasiliana.

É uma ótima oportunidade para autores iniciantes tentarem uma publicação. E recomendo enfaticamente os roteiristas de HQs começarem a escrever contos e tentar a sorte. Mas caprichem, nada de entupir a caixa de email da editora com porcarias mal-escritas.

Ouça a entrevista com Gian, da Tarja editorial clicando aqui.

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