Fazer HQ passo-a-passo

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Ontem, por motivos de falha técnica (coisa burra e ignorante operando o blog) o post foi uma repetição da semana passada. Retifico-me trazendo o texto que deveria ter sido postado. Texto do Ricardo S. Tayra (post original). Como disse antes, ele coloca em termos práticos o que tenho dito em termos técnicos.

FAZER HQ PASSO-A-PASSO

A grosso modo, o processo de criação de uma história em quadrinhos é bastante similar ao processo do cinema.

Basicamente, é composto por etapas de pré-produção, produção e pós-produção. Isso sem mencionar os vários pontos em comum existentes entre essas duas linguagens, algo já falado à exaustão por aficcionados e especialistas das duas artes.

Hoje falaremos da pré-produção e de sua etapa mais importante: o roteiro.

1. A pré-produção em um HQ começa sempre pelo tema ou idéia principal: do que vai tratar a nossa história? O que vamos contar ao nosso leitor? Nessa etapa do processo criativo, a resposta para essas perguntas não deve ultrapassar uma linha. Por exemplo:

Citação:
Um homem que se apaixona por uma mulher e descobre que ela é sua irmã desaparecida há 25 anos.

Pronto. Tem-se, aí, o cerne da história.

2. A partir daí, começa o trabalho propriamente dito: contar, em linhas gerais (gerais mesmo), a sua história. Narrar, suscintamente, o que vai acontecer; dar um início, um princípio e um fim para a trama. Se for importante para o enredo, a ambientação pode ser escolhida nessa etapa do processo: onde vai se passar a história; em que época; por que tipo de pessoas os personagens principais estarão rodeados.
Depois, é necessário que você, roteirista, conheça os seus personagens. Eles devem ser tratados como pessoas reais para que a estória seja verossímel; e, para tratá-los como pessoas reais, é preciso que você os conheça melhor do que a si mesmo. Como fazer isso?

2. Escreva uma mini-historinha para cada um dos seus personagens principais, como uma espécie de “fichamento”. Em uma folha separada para cada um, escreva seu nome completo, onde nasceu, que idade tem no momento em que sua história será contada, suas habilidades, suas aspirações, suas principais características e seu temperamento. Tudo isso lhe dará elementos para escrever; que tipo de diálogo fica melhor com que personagem; que atitude, etc. Assim, você saberá facilmente como seu personagem reagirá a uma determinada situação, por exemplo.

4. Depois, vem o roteiro propriamente dito. Você pega o mini-texto que escreveu na etapa número 2 e detalha; reescreve preenchendo todas as lacunas, colocando os diálogos, os lugares, os ângulos e os enquadramentos, baseado nas informações fornecidas nas etapas anteriores.

Lembre-se, isso não é um modelo rígido. Cada roteirista prefere trabalhar de um jeito. Às vezes, é bom inverter as etapas; por exemplo, fazendo o fichamento dos personagens antes de tudo, ou começar pela ambientação da história. Depende de como a idéia nasce.

O importante de se lembrar nessa etapa é que toda a pesquisa (histórica, geográfica, cultural, científica e psicológica) que vai embasar e dar verossimilhança ao enredo deve ser feita durante a pré-produção. É importante ter esses dados sempre à mão para consulta enquanto estiver escrevendo.

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5 Dicas para escrever um Roteiro de Quadrinhos

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Certo, sei que estou devendo atualizações mais frequentes no Abismo, mas é por uma boa causa. Estive trabalhando duro para tirar o atraso de outros projetos que conhecerão em breve.

Enquanto isso, vou cometer mais um ctrl + C, ctrl + V. Boas dicas para iniciantes escritas por Ricardo S. Tayra.

5 Dicas para escrever um Roteiro de Quadrinhos

1) Escreva

Escreva muito. Pare de falar a respeito de escrever e escreva. Escreva tudo o que der na telha na hora. Pode não vir a fazer sentido algum no final, mas faz parte do processo de criação.

Não tem desculpa: você pode pegar uma folha simples de papel e desandar a escrever. Mas para quem tem acesso a computador, mais fácil ainda: vá jogando tudo num arquivo. Na hora de produzir o roteiro pra valer mesmo, você pode salvar o tal arquivo com outro nome: é mais fácil cortar, reescrever, reorganizar, editar, enfim… Mas isso só é possível se já tiver algo escrito.

2) Organize as idéias

Muitas delas são bacanas, mas não funcionam numa história só (vale a pena guardar para outras). Pense que as coisas têm que fazer sentido – ações têm conseqüências, como na vida real, e espera-se que exista começo, meio e fim. Mesmo que a HQ seja contada fora de ordem cronológica. Ora, você não aprendeu nada mesmo quando estudou dissertação na escola?

Vale apelar para as perguntas básicas dos jornalistas: Quem? O quê? Como? Por quê? Quando? Onde? Enquanto você elabora respostas para essas perguntas, vai delineando a história na sua cabeça (e no papel).

3) Não escreva para si mesmo

Esta dica vale especialmente quando o roteiro será desenhado por outra pessoa (embora acredite que valha mesmo quando se desenha uma história própria, para não ter que confiar na memória).

Um roteiro é uma ferramenta de trabalho. Você deve expor de maneira clara, o mais objetivamente possível, o que pretende que seja desenhado. O desenhista será seu primeiro leitor. Se não conseguir capturar o interesse dele, quem dirá dos demais? Ele ainda terá uma série de decisões a tomar para desenhar (acompanhe um profissional decidindo sobre o que colocar numa página e verá como funciona), então não seja preguiçoso e dê um mínimo de detalhe sobre as cenas: se não, ele terá que “adivinhar” o que passou por sua cabeça.

E escreva corretamente em língua portuguesa, por favor: escrever bem só se aprende com bastante prática e boa leitura. Um roteiro com erros crassos de português perde total credibilidade e o interesse do leitor.

4) Não fale sobre uma ação: mostre-a.

Você pode ser desenhista ou não, mas é importante pensar que o que você está escrevendo vai virar imagens. Ao invés de colocar uma caixa de narração explicando que um personagem é malvado, crie uma situação na qual ele possa demonstrar sua malvadeza. Uma imagem não vale mais que mil palavras?

Quanto mais importante a ação, mais detalhes você tem que incluir no roteiro, que servirá como orientação para o desenhista. Se uma expressão de um personagem é importante, num determinado momento, peça um close (isso, como em linguagem cinematográfica). Se o importante é mostrar onde ele está, marque um plano geral do local.

Vale lembrar que, num roteiro, você identifica o texto que deve entrar no quadrinho (nos balões, ou nos quadros de narração). Este texto sempre deve ser complementar à ação. Na maioria das vezes será ridículo você colocar um quadro com a narração “Ele desferiu um soco no queixo do adversário” enquanto o que se vê é um sujeito dando um soco no queixo de outro.

5) O tempo dos quadrinhos é um caso à parte

O tempo nos quadrinhos é determinado por fatores como o tamanho e detalhamento de um desenho e pelo espaço de requadro (o intervalo entre um quadrinho e outro).

Você pode narrar ações simultâneas intercalando quadros. Você pode colocar num quadro ou numa seqüência de quadros, um desenho que mostre o tempo daquela ação (como uma seqüência que mostra um sujeito em sua cama do ato de dormir até o de acordar, enquanto no fundo do quadro vemos uma janela mostrando o sol que vai raiando).

E existe também o tempo de leitura: um quadro de página inteira pode ser lido rapidamente ou não, dependendo do tamanho do desenho e dos detalhes contidos nele. É uma opção que se faz. Mas lembre-se: por mais que o roteirista e desenhista se esforcem para colocar “amarras” no tempo da HQ, o leitor ainda vai querer determinar seu próprio tempo de leitura e pode até subverter a ordem de leitura, pulando páginas (é a parte mais interativa do negócio). Um bom roteiro ajuda o leitor a mergulhar na história como ela foi concebida.

Para mais informações, textos e guias sobre roteiros de quadrinhos, personagens, ambientação e muito mais, acesse www.quadrinize.com

Como criar um hábito em 21 dias

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Desenhistas e roteiristas precisam praticar muito para chegar a um nível satisfatorio. Um, precisa praticar traço, anatomia, perspectiva, luz e sombra, cores, arte-final, etc. O outro, leitura, gramática, estilo, linguagem, recursos linguísticos, narrativa, ritmo, etc.

Mas praticar todos os dias é complicado. Começa na empolgação e no quinto dia o cara já passa o dia todo vendo as cenas private de BBB na internet. Como melhorar o ritmo?

Trago o excelente texto do blog Como Aprender Japones, que é aplicável a toda atividade a qual você queira praticar. Inclusive fazer quadrinhos.

Como criar um hábito em 21 dias

Um dos grandes segredos do sucesso, seja no trabalho ou nos estudos, é a regularidade. Regularidade de estudar todos dias, de correr todas as manhãs, de trabalhar todos os dias, etc. Manter essa regularidade não é nada fácil, pois tendemos a preferir intensidade (”Vou fazer isso tudo de uma vez e me livrar logo desse trabalho, estudo, etc!”). Como então manter a regularidade? O segredo da regularidade é fazer desta não algo que você “tem de fazer” mas sim algo que você simplesmente “faz” naturalmente. Isso é um hábito.

Um pequena busca no dicionário e temos…

há.bi.to
[do latim habitu]
Inclinação por alguma ação, ou disposição de agir constantemente de certo modo, adquirida pela freqüente repetição de um ato

Um hábito é algo que faz regularmente, sem pensar, e que é adquirido via repetição. Pense nos fumantes (talvez o melhor exemplo de hábito). Nenhum fumante pensa “tenho de fumar um cigarro” (no sentido de obrigação). O fumante simplesmente fuma e pronto. Fumar o maldito cigarro (me perdoem os fumantes, mas de fato o cigarro é maldito, vocês mesmos sabem) não é uma obrigação, não é algo que o fumante tem que fazer. Nenhum fumante precisa de lembretes do tipo “fume um cigarro por dia”, pois fumar já é parte deles, já é um hábito. E não adianta me falar que a culpa é da nicotina, pois ninguém fica viciado por fumar um carteira de cigarro. Todo o fumante que conheci começou a fumar por sei lá que motivo e fumou, fumou e fumou até ficar viciado. O que você precisa fazer aqui é seguir o exemplo dos nossos fumantes e fumar Japonês até que a nicotina nipônica faça efeito.

Criar o hábito é um dos fatores que te levará ao sucesso, seja no trabalho, seja nos estudos. Enquanto você continuar tendo que se lembrar que tem de estudar Japonês, que tem de trabalhar ou  que tem que correr de manhã, essas coisas ainda vão demandar esforço e te desanimar cedo ou tarde. No entanto, no momento em que elas se tornarem hábitos, quando você estudar ou trabalhar naturalmente, sem pensar “tenho que fazer isso”, do mesmo modo que o fumante não pensa para fumar o cigarro, todo esforço e desanimo vão embora. A questão agora é como criar estes hábitos?

Manter um hábito é fácil, criar um exige dedicação. Demoramos 21 dias para criar um hábito. Algumas pessoas dizem que o ideal são trinta dias, porém minha experiência pessoal diz que 21 dias é suficiente. 21 dias de dedicação e esforço é que você precisa para criar um novo hábito. Durante esses 21 dias você terá que lembrar diariamente que “tem que fazer X durante Y minutos, horas, etc”. E quando você estiver cansado, desanimado, frustado, terá de fazer do mesmo modo. Conforme os dias vão passando, cada vez mais isso vai deixar de ser uma obrigação e se tornar um hábito. Após os 21 dias você já vai estar fazendo isso sem pensar, pois criou o hábito.

Como eu e você somos pessoas sistemáticas (só pessoas sistemáticas param para ler um texto sobre como criar hábitos num blog sobre língua japonesa), vamos fazer um pequeno guia…

Criando um hábito em 21 dias!

1. Defina o que você quer fazer: estudar uma hora de Japonês todo o dia, treinar Kendo três vezes por semana, praticar digitação meia hora por dia, escrever todos os dias no seu blog, correr 2km todos os dias, etc. Seja lá o que for, defina o que você deseja tornar um hábito na sua vida.

2. Faça uma promessa para você mesmo: que você vai fazer isso durante 21 dias não importa o que aconteça!

3. Arrume um modo, algo que possa te manter informado do hábito. Programe seu celular para te avisar, use o site 43things, fale para sua mãe te lembrar, etc. O importante é que, caso você não lembre, alguém te lembre (se puder, te obrigue).

3. Não desanime! Lembre-se que os primeiros  21 dias são difíceis, mas depois você vai colher os frutos! Não pense no antes nem no depois. Nem mesmo pense, faça!

4. Use um calendário! Ou algo em que você possa marcar seu progresso e deixe-o em alguma lugar bem visível (cole no teto, em cima da sua cama!). Você precisa ver seu sucesso, isso vai te estimular.

5. Se possível, arrume alguém que tenha o mesmo objetivo que você! Você vai ver que fazendo isso junto com alguém é bem mais fácil, pois um “puxa” o outro.

6. Não importa o que acontecer, siga em frente! Lembre do Obama: “Yes, we can!” (Sim, nós podemos. No seu caso “Sim, eu posso!”).

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