Campanha Contra a Bajulação ao Autor

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Eventualmente eu visito comunidades e sites de quadrinhistas e fanzines e procuro dizer ao autor onde precisa melhorar. Como a maioria dos quadrinhos gratuítos na internet são de pessoas que ainda estão começando a vida de desenhistas e roteiristas, sempre há muito o que dizer. Mas mesmo assim, eu faço como Jack – vou por partes.

Mas tem dois tipos de pessoas que atrapalham o progresso e melhoria do trabalho em questão.

A primeira e mais comum é o proprio autor quando está muito orgulhoso e cheio de si. Nesses casos, a menor e mais simples crítica ou opinião é vista como um “ataque horrível” e leva para o lado pessoal. Para eles, as críticas vem para destruir. E é verdade, críticas destroem – destroem o orgulho, a altivez, o ego inchado, a arrogancia. Mas deixemos esse caso para posts futuros

O segundo que atrapalha o aprendizado do autor é o bajulador, e ele é o foco desse post.

É o amiguinho que, vendo os “ataques horrendos” feitos ao seu colega, corre para socorre-lo e defende-lo. Sempre aparece com frases “você está é com inveja”, “você é um grosso mal educado e mal amado” e “tô contigo, fulano” referindo-se ao autor “massacrado”. Isso é mais comum ainda no fandom, onde a maioria bajula os mais populares para receberem mais atenção e também serem bajulados. É uma troca. Sempre há interesses por trás.

Mas como eu sempre tenho que fazer o trabalho sujo de trazer as más notícias, trarei mais uma. Uma bem óbvia, por sinal:

BAJULAÇÃO NÃO AJUDA O AUTOR!

Não importa o quanto você ache que o artista precise ouvir:

“Nossa, como você é incrível!”

“Weeeee adorei seu mangá!!!11!onze!!”

“Cara tu desenha pra &@#%@#$”

Por um lado, você está contribuindo para o aumento do ego dele, o que o deixará cego para críticas de verdade e arrogante demais para conseguir uma chance de entrar no mercado profissional. E por outro, você está perdendo uma ótima oportunidade de ser a pessoa que mais pode ajudá-lo, afinal, é muito mais fácil receber uma crítica real de amigos e pessoas próximas do que de um estranho.

E quando esse estranho chega e faz seus comentários, se você passa a defender o autor como se ele estivesse sendo morto, você o estará induzindo a recusar dicas preciosas para o aprendizado dele. Percebe o quanto essa atitude pode ser danosa? Se você não vai fazer uma crítica coesa e sincera, deixe os que a fazem realizarem o trabalho.

Claro que há críticas que chegam à ofensa pessoal. Quando o assunto deixa de ser a obra e a técnica em si e passa a ser a pessoa, isso não é mais uma crítica. Mas ainda assim, se houver crítica ao trabalho em meio as ofensas, saiba separar e aproveitar o que for útil.

Não digo com isso que você não deve mais elogiar ninguém. Elogios fazem parte da crítica. Mas se você quer realmente ajudar, aprenda a fazer uma boa análise do conjunto e perca o medo de dizer o que precisa mudar. Apenas elogios não ajudam em nada.

Portanto, seja amigo: não bajule!

Se você entendeu essa mensagem e apóia o movimento, use esses banners eu seu blog, orkut, facebook, twitter, na testa… whatever! Espalhe essa idéia.

Abismo Infinito - Campanha diga não à bajulação ao autor

Abismo Infinito - Campanha diga não à bajulação ao autor

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#prontofalei

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11 Motivos para fazer sua HQ com leitura on-line

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Baixar hq online-desespero!

Como leitor e crítico, leio muitos zines gratuítos por aí e muitos deles cometem a gafe de disponibilizar sua HQ apenas em arquivo zipado para download em drive virtual. Vou dar agora 11 motivos para você dar preferência à leitura on-line ao seu zine gratuíto.

1- Você é um autor totalmente desconhecido e sua obra ainda mais. Ninguém sabe se valerá a pena ler, e isso será decidido pelo leitor nas primeiras cinco ou dez páginas. Sim, há grande possibilidade que ele nem leia todo o primeiro capítolo. Baixar tudo de uma vez normalmente acaba sendo uma perda de tempo, porque raramente encontramos algo que realmente valha a pena ler, e muito menos valha manter guardado no PC.

2- Internet e web 2.0 é algo que deve ser dinâmico e instantâneo. Aqueles cinco minutos que se leva pra fazer um download fazem toda a diferença. Aqueles cinco cliques a mais que precisamos fazer para um download fazem MUITA diferença. Entenda que os leitores da internet, na maioria, são acostumados a fazer duas, três, cinco coisas ao mesmo tempo no computador, e tudo deve ser rápido e eficaz. Caso contrário, perde-se o interesse facilmente. Na era do twitter, nada melhor do que simplesmente clicar em botões “clique aqui para ler” e a HQ abrir instantaneamente.

3- Quando se é desconhecido, entenda que é um privilégio ser lido, e não algo natural, como é para caras como Alan Moore ou Katsuhiro Otomo. Então, facilite para o seu leitor ao máximo. Quanto mais rápido ele olhar a capa e avançar as páginas, melhor.

4- Faça um site para seu zine/hq independente. É de graça. Dá trabalho, mas quanto mais trabalho você tiver, melhor para o LEITOR! É assim mesmo que funciona. Você se lasca durante dias, semanas, meses, para que o leitor tenha seus 10 minutos de entretenimento, sem interrupções causadas pela má estratégia do autor.

5- Coloque no site as páginas todas em uma galeria, em miniatura. Ao clicar em uma delas, o leitor deve ter os botões com opção de avançar nas páginas seguintes e voltar na anterior. Use imagens com poucos kbites para que carreguem o mais rápido possível. Isso é a mão-na-roda para o leitor. Imadiato e instantâneo, como miojo. Lembre-se que possivelmente o leitor também está AO MESMO TEMPO ouvindo música, twittando, atualizando o orkut, upando vídeos no youtube e jogando WOW. É uma disputa de atenção.

6- Quando você faz um belo site ou blog, com sinopse e ilustrações da sua HQ, bem atraente, o leitor te leva mais a sério. O visual vai chamar a atenção e atiçar a curiosidade dele. O contrário também é verdadeiro. Quando você joga um link no orkut para download no 4shared, você está passando a impressão de que não leva a sério o trabalho e de que é muito preguiçoso para fazer um site para leitura online. Na internet, sua imagem pessoal também conta.

7- O leitor pode ser preguiçoso e não querer ficar clicando e baixando coisas. Você não tem direito ao “luxo” da preguiça.

8- O autor da internet independente não é apenas autor. Ele é autor, designer, developer, editor, seo, e publicitário de seu próprio projeto. Se não for, e não tiver ninguem que seja por ele, certamente irá fracassar.

9- Ter um site com leitura online amplia muito a possibilidade de divulgação e de visitas acidentais do que postar um link para download em redes sociais ou até postar no album do orkut. Pense nisso.

10- Web 2.0 significa interatividade. Quando o leitor lê no site online, ele tem a opção de comentar no site na mesma hora, ao inves de ter que procurar por você naquela lista enorme de amigos do orkut.

11- E por fim, profissionais, editores e tal normalmente vão levar mais a sério um site bem montado e um trabalho bem apresentado.

Se ainda assim você prefere usar apenas drives online que obrigam o download, lamento, mas provavelmente eu e muitos outros simplesmente não irão ler.

Para um bom exemplo de um site bem-sucedido no mundo dos fanzines de leitura online, visite o Mushi-Comics.

#faleimesmo

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Criando um Heroi de Quadrinhos Brasileiros

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calvin-hq-personagem

Ou “Como escrever direito para brasileiros?”

No artigo O Famigerado Mercado de Quadrinho Nacional falamos como a criação voltada ao público brasileiro pode fazer com que finalmente exista um mercado e até mesmo um segmento, uma tendência, um estilo e identidade própria aos quadrinhos nacionais. Agora vamos falar sobre como criar algo que dê conta do recado. Nada de mulheres siliconadas clones de heroínas de comics dos anos 80. Nada de ninjas coloridos. Nada de ficção antiquada com chapéus voadores. Vamos olhar para a simplicidade do herói, povo!

Não podemos simplesmente importar conceitos de heróis de outras culturas, que por sinal levaram anos de evolução para ser o que são hoje, que atendem às necessidades e expectativas de um público do qual você não faz parte.

Entenda: mangá é feito pra japones, comics são feitos pra americanos. Você é um nerd que gosta dessas coisas, mas sua colega do colégio não, e por isso ela ri de você por causa dos seus gibis. Claro que os leitores de HQs cresceram muito, principalmente com a invasão dos mangás, mas ainda é uma minoria. Por isso fazer um fanzine brasileiro com nomes e lugares japoneses simplesmente não faz sentido. Assim você não está escrevendo pra brasileiro nem pra japones – porque o personagem e lugar japones que você coloca não são japoneses nem na Lua. A minoria conhece essas coisas de HQs.

Já a turma da Mônica, todo brasileiro conheçe. E é disso que estou falando. Acho que existe essa lacuna a ser preenchida. No Brasil existem muitos humoristas, inclusive na área dos quadrinhos – que escrevem ótimos textos, por sinal. Mas onde está o herói brasileiro? Aquele que será tão conhecido quanto a Mônica? É possível realizar tal façanha?

Sim, é possível. Mas primeiro, precisamos abandonar os esteriótipos, esquecer um pouco que heróis precisam de músculos e poderes, que mangá precisa de olho grande, que garotas tem q aparecer em um semi-poster pornográfico na capa da HQ, dos uniformes e etc, etc. Vamos tirar toda essa gordura, apetrechos, cores e testosterona. Tire as capas e super-poderes fantásticos, as cores da bandeira e as frases clichês.

O que sobra?

Se no caso do seu personagem não sobrar nada, jogue ele fora e faça o teste com um bom personagem gringo. Como Batman, Homem-Aranha ou Kenshin. O que sobra? O que sobra???????

Sobram os conceitos idealizados de cada autor, resultado de sua própria cultura e experiencia de vida (leia mais sobre criação de personagens que não sejam superficiais). Sobra uma pessoa que poderia existir de verdade, que poderia ser o seu vizinho – ou quase, já que Bruce Wayne, Peter Parker e Kenshin moram um pouco longe de você. Mas poderia ser o vizinho do público original desses personagens. O cara na frente na fila do banco, o sujeito lendo jornal no metrô, qualquer um. O Peter Parker é uma pessoa comum, como eu e você. E por ser uma pessoa comum, é uma pessoa complexa, cheia de sonhos, defeitos, princípios, valores, crenças, dúvidas, amores, rancores, medos e feridas. Ele convive com pessoas igualmente comuns e frequentes no nosso cotidiano. O valentão da escola, a namoradinha, o melhor amigo problemático, a família, e por aí vai. Temos alguém com uma essencia, um passado cheio de traumas e momentos saudosos. Um ser humano. O maior problema que encontro nas HQs brasileiras é a dificuldade de se colocar um ser humano nas páginas pra atuar.

Mas como se faz pra criar algo tão complexo? Tenho que estudar psicologia? Não, não se afobe, pequeno escrevinhador. O que você precisa fazer é trancar um pouco seus mangás e comics no armário – eles te deixam com uma visão gringa e estereotipada sobre as pessoas – e vá ver pessoas brasileiras. Vá ver como eles pensam, falam, andam, agem e reagem, e saiba porque eles são como são. Conheça tipos diferentes de pessoas, converse com elas. Quando estiver em um ônibus, observe bem. Dali mesmo você pode tirar vários personagens para suas estórias. Seja um trocador mau humorado que xinga os passageiros, um velhinho que não sabe onde está indo, um vendedor de doces engraçadinho, uma garota fria e com cara de quem chupou limão.

Todos tem uma estória, e se você observa-los, ver como se vestem, como andam, o que carregam, talvez você consiga saber algo sobre eles. Ou pelo menos imaginar. É um ótimo exercício. Talvez a garota esteja irritada com o vendedor engraçadinho que está dando cantadas horríveis e o trocador brigou com a esposa antes de sair de casa. São pessoas, assim como você. Seus personagens também deveriam ser, e não apenas um cara que solta raio pelos olhos ou que é caladão porque ser caladão é “cool”.

Os esteriótipos são úteis APENAS se estiverem a serviço da essência do personagem, e não vice-versa. Você não deve dizer “ok, vou definir o personagem: Fulano é estressado e se acha mais forte que os outros”. Isso são traços esteriotipados de comportamento, é uma casca, é provavelmente a primeira coisa que o leitor vai perceber, e não deve ser a única coisa. Você deveria pensar “ele tem um sonho de ser um ator famoso, mas por ser gago foi muito ridicularizado desde criança e POR ISSO se tornou estressado e orgulhoso, de modo que se acha melhor que os outros”. Um exemplo bobo (não o use) mas que mostra a idéia. O leitor primeiro vai ver que o cara é estressado o que ele se acha, mas depois vai entender o por quê. E isso faz toda a diferença.

Navegue pela complexidade e pelos trilhos caóticos do comportamento humano. Causa, escolhas e efeitos. O que aconteceu com eles, o que eles decidiram fazer com esses acontecimentos e os resultados dessas escolhas. Isso gera o caráter deles de hoje. ENTENDA o seu personagem, por só assim você vai saber o que ele fará em cada situação que surgir e terá tudo sob controle.

Mas por que tenho que fazer personagens brasileiros? Alguns dizem que é bobagem, mas a magia dos quadrinhos e de todas as estórias está aqui: identificação. Nós escrevemos estórias sobre seres humanos e para seres humanos. Só esse fato já gera uma identificação. Mas quanto mais você gerar essa identificação com um coletivo específico – no nosso caso, com o brasileiro – mais a leitura será intensa e atraente, porque o leitor vai querer saber o que acontecerá com o personagem. “Será que ele conseguirá vencer o vilão e salvar o bairro/cidade/mundo?” Quando o personagem se torna real na mente do leitor e este se identifica com aquele, eles se tornam próximos; um vínculo é gerado e, dependendo do grau de intensidade da sua estória, o personagem ficará na mente do leitor por um bom tempo.

Até hoje me lembro do impacto que foi na minha mente quando vi o filme A Fortaleza. Eu era criança, e o filme é sobre crianças sequestradas por bandidos MUITO maus com máscaras de bichinhos. O chefe era o Papai Noel. Eu fiquei com trauma de Papai Noel, o filme realmente me deu medo. Mas o que aconteceu? Eu me identifiquei com as crianças, porque eu era criança, parecido ligeiramente com um deles e lá no fundo eu queria ter tido uma aventura como aquela. Por que? Porque aquelas crianças bobas e medrosas no final se tornaram salvagens, espertas, e mataram os bandidos; criaram uma armadilha engenhosa e mutilaram o Papai Noel. Aquilo foi homérico. Eles eram heróis mirins. Isso me fez querer ser herói também, que dividia um segredo e uma aventura com um grupo de amigos que antes não se davam bem e se tornaram proxímos e confidentes. Mas isso tudo era devido ao fato de eu querer ser importante e corajoso. Foi de encontro com meus sonhos e desejos. Fiquei dias com aquilo na mente. O mesmo ocorreu com História Sem Fim, entre tantos outros.

A identificação é de suma importância. Não precisa ser com o personagem principal, mas procure entender como são os brasileiros e faça um brasileiro pra que todos vejam e SAIBAM que é um brasileiro sem ter que carregar a bandeira do Brasil (ô coisa brega). Faz um moleque que pareça aquele metido a valente da escola mas que não era valente coisa nenhuma, ou a garotinha inteligente e tímida que não dava cola pra ninguem. Ou aquela vizinha filha de pastor evangélico metida a rebelde. São experiências comuns ao brasileiro, coisas que ficam no insconsciente coletivo.

Aprofunde-se nas etnias, não faça um monte de gente parecida. Aqui tem de tudo. Observe a influencia da família sobre as pessoas, o poder aquisitivo, o estilo de vida, o tipo de colégio que estudam. Olha para as ruas e os shoppings, sua história pode estar lá, te esperando. Uma história em cada pessoa que passa por você . Não seja preguiçoso. Traga a vida real para dentro de suas HQs e, consequentemente, para dentro da mente do leitor. Se importe com o personagem. Ele precisa aprender e evoluir como ser humano.

E, quando você buscou isso tudo para seu personagem, você finalmente irá descobrir por que ele é um herói. Pode ser por um sentimento de culpa, como o Peter Parker, ou vingança como Batmam, um limitador moral. Mas o importante é você saber o que faz dele um herói, qual é o fator determinante que fará dele um mocinho e não um bandido ao receber os poderes ou habilidades quaisquer. E o mesmo vale para os bandidos. Não serve “ah, ele é bom e o outro é mau”. Ninguém é bom nem mau, apenas agimos conforme os fatos e nossas escolhas. Algo acontece e fazemos algo a respeito. Algo nos move, algo impulsiona.

E depois? Aí entra a Jornada do Herói. Mas isso fica pra outro dia (claro que você pode ir pesquisar o assunto até lá, né?)

#FicaADica

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“Resposta”, por Fredric Brown

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Quando eu li isto, mais ou menos aos 16 anos, não imaginei um mundo com metade do que existe hoje – coisas como Echelon, por exemplo.

Conto fantástico de 1954.

Dwar Ev soldou solenemente a junção final com ouro. A objetiva de uma dúzia de câmeras de televisão se concentrava nele, transmitindo a todo o universo doze enquadramentos diferentes do que estava fazendo.

Endireitou o corpo e acenou com a cabeça para Dwar Reyn, indo depois ocupar a posição prevista, ao lado da chave que completaria o contato quando fosse ligada. E que acionaria, simultaneamente, todos os gigantescos computadores da totalidade dos planetas habitados do universo inteiro – noventa e seis bilhões de planetas – ao supercircuito que, por sua vez, ligaria todos eles a uma supercalculadora, máquina cibernética capaz de combinar o conhecimento integral de todas as galáxias.

Dwar Reyn dirigiu algumas palavras aos trilhões de espectadores. Depois de um momento de silêncio, deu a ordem:

– Agora, Dwar Ev.

Dwar Ev ligou a chave. Ouviu-se um zumbido fortíssimo, o surto de energia proveniente de noventa e seis bilhões de planetas. As luzes se acenderam e apagaram por todo o painel de quilômetros de extensão.

Dwar Ev recuou um passo e respirou fundo.

– A honra de formular a primeira pergunta é sua, Dwar Reyn.

– Obrigado – disse Dwar Reyn. – Será uma pergunta que nenhuma máquina cibernética foi capaz de responder até hoje.

Virou-se para o computador.

– Deus existe?

A voz tonitruante respondeu sem hesitação, sem se ouvir o estalo de um único relé.

– Sim, agora Deus existe.

O rosto de Dwar Ev ficou tomado de súbito pavor. Saltou para desligar a chave de novo.

Um raio fulminante, caído de um céu sem nuvens, o acertou em cheio e deixou a chave ligada para sempre.

#tenso!

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Dicas Para Criar Seu Personagem

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Continuando a série “resgatando textos antigos”, trago um sobre personagens originalmente postado nesse tópico do Orkut. Revisto e atualizado, porque opiniões e conhecimento mudam.

O pessoal gosta de começar a criar um personagem a partir dos poderes. A princípio, tudo relativo a poderes é deixado pra depois. Não parece, mas isso é o menos importante.

– OHHH!!! Mas o q será do meu personagem sem o seu poderoso ultra-mega-explosivo KAMEPEIDORRÁ????

É aí q tá. O personagem, com ou sem poder, é uma pessoa q tem seu histórico, seus sentimentos, crenças, motivações, objetivos e sonhos. Pessoas são complexas. Olhe pra você (vcs que leem isso aqui)! Você é complexo pra caramba! Os leitores de HQs são super complexos. E complexados, porque a maioria é nerd e fanboy.

Então eu diria q originalidade não importa nessa hora. Deixe ela pro enredo, pro desenrolar da historia. Toda história tem seu herói, anti-heroi, vilão, mocinha, e tudo isso varia de forma de acordo com o gênero. Por isso histórias são universais. Claro, se vc tem uma ideia ultra original para o pesonagem, use! Mas cuidado pra não ser algo q ninguem vai entender ou gostar. Faça o simples.

E o que é o simples? Faça seu personagem uma pessoa comum, como qualquer outra que esteja lendo a historia. Use arquetipos e esteriótipos sim. Crie uma personalidade comum no dia a dia, uma coisa q as pessoas identifiquem. O riquinho metido, a patricinha, o nerd espinhento. O leitor vai ler e pensar “ei, se parece comigo!” ou “ah, essa guria chata é igualzinha minha namorada!!!”. Aí você criou a identificação e o leitor se interessou.

É aí que vc vai colocar coisas a mais. Vai se aprofundar na alma do personagem. Poque o riquinho é metido? Só porque é rico? Isso é pobre. As pessoas são movidas por motivações e objetivos. O riquinho é metido porque além de rico ele QUER alguma coisa. Quer ser aceito, quer ser paparicado, e geralmente ser rico não é o suficinte para isso, então ele tem que aparecer de qualquer jeito e o dinheiro é apenas um meio para conseguir aparecer.

E aí vc coloca o bendito conflito. Con-fli-to. Sem isso, seu personagem não é nada. É uma coisa estática e chata. Conflito é quando Deus e o mundo se colocam entre o personagem e seu objetivo. É quando mesmo com toda a grana e estrategias para aparecer, o riquinho é odiado por todos, o cachorro que era o único a ficar perto dele morre, a garota (aquela patricinha) que ele é apaixonado e coleciona fotos em segredo começa a namorar o nerd espinhento, tudo dá errado e ele tem que fazer algo a respeito.

Um personagem q ficou famoso com seus conflitos é o Homem-Aranha nos anos 60. Eu nao queria estar na pele dele, mesmo sendo um super-heroi. Mas esse é o lance que cativa. O cara é um heroi, salva vidas, faz o q é certo e vive uma aventura, mas no final do dia tem um fracasso que destrói a alma dele. Ele não pode ficar com a garota que ama para protege-la dos viloõs. O leitor quer ser o heroi mas sente na pele a dor que isso causa. Aí entra o sacrificio.

Peter Parker - Homem Aranha
Então você coloca no personagem coisas que farão ele continuar a ser o heroi ou farão ele desistir. Se o personagem acredita q tem q usar os poderes para proteger as pessoas mesmo q ele sofra horrores, coloque o por que disso. No caso do HA, o tio dele que ele respeitava pra cacete o ensinou essa coisa de responsabilidade.

Ok, mas como falamos de mangá, pegue o Naruto. Ele quer ser hokage e quer ser reconhecido. Mas ele é fraco e não consegue aprender nada direito – conflito. Depois ele consegue ser reconhecido pelo babaca do Sasuke, e tudo vai bem, mas o babaca vai ser vilão – por que? Você sabe, motivação do personagem. Mais conflito. Agora a motivação do Naruto é salvar o amigo que vai virar um casaco de pele do Orochimaru, mas ele continua um imbecil fraco. Motivação, conflito, reação. Um ciclo, percebe?

Saruto e Sasuke
Isso pode parecer cliche, mas é assim que uma historia se torna interessante. Na verdade, o clichê está em COMO você vai solucionar o problema “motivador-conflito-reação”. Usar os mesmos de sempre é ser clichê. É nessa hora que você tem o desafio de ser original. Não é preciso criar nada novo, mas algo funcional com situações criativas sem apelar para fórmulas já manjadas nos mangás, HQs e filmes.

#foiescrever

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Mangá “Gasp” Girl

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E aquela série de 13 livros que virou seriado de TV – Gossip Girl – vai ganhar também um mangá publicado pela editora norte-americana Yen Press e escrito e desenhado pela coreana Baek Hye-Kyung.

É um mangá tipicamente shoujo focado na Blair e na Vanessa. Não sei por que! Pelo menos são histórias inéditas, só espera-se que mantenha a essencia da coisa.

Taí uma amostra das páginas. Preciso dizer? É horrível! Com excessão da Serena na capa, os personagens estão irreconhecíveis. A Yen Press tem publicações melhores.

Ainda bem que não é uma série da qual sou grande fã.

#vergonhaalheia

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Erica no País das Maravilhas?

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Nessa nova onda de Alice no País das Maravilhas (é filme, é seriado) vem aí a HQ americana. E, para o delírio dos otakus brasleiros, a arte fica por conta da bajuladíssima Érica Awano, famosa por desenhar Holy Avengers. E ela trabalha com a filha de Alan Moore, Leah Moore, que cuida do roteiro. Uma honra, não?

Não. Sem bajulações toscas.

A arte da Érica sempre teve seus fãs e seus críticos, desde a época das ilustrações em eventos de anime. Aliás, as ilustrações dela são mesmo interessantes, bonitas e agradaveis, embora não passem disso. Nada fora do comum e nem livres de erros. O problema é quando ela faz HQs. É quase sempre a mesma coisa. Cenários pobres, muitas páginas sem graça e cenas de ação sem… ação. Sem contar com problemas de narrativa e transição de quadros.

Quem acompanhou o trampo dela deve se lembrar de Street Fighter Zero. Não dá pra tecer críticas à garota hoje tendo como base essa HQ, porque se bem me lembro foi uma das primeiras publicações oficiais dela, há muitos anos atrás. O ponto que quero frisar é que os problemas que ela já apresentava naquela época são os mesmos ainda hoje. Isso pode ser chamado de negligência.

Dessa vez não dá pra negar que a menina evoluiu. Os desenhos estão um tanto mais ricos em detalhes e aparentemente ela encontrou algo para fazer que gosta. Mas uma olhada mais atenciosa e vemos os mesmos problemas com cenários e personagens estranhos em um quadro ou outro. Parte da riqueza das páginas se devem às cores (ainda não consegui informação de quem coloriu, ou se foi a própria Erica). Basta olhar para as páginas e pensar nelas sem cor. O problema com cenários fica óbvio.

As sequencias de quadros também é estranha em alguns casos.

Sendo essas cores dela ou não (duvido, não é o estilo dela), a colorização está realmente bem legal. Sombria, mas sem exagero.

O problema da Érica é que ela não ousa, não inova. Não sai dos mesmos estereótipos shoujos meninas-rostinho-de-porcelana que sempre fez. Não inventa novas e malucas feições e expressões faciais. Tudo é lúdico e bucólico demais. Talvez por isso tenha sido escolhida para Alice. Nada tão bucólico quanto. Mas temo pela seriedade e obscuridade da história.

E isso não é uma questão de gosto pessoal, não. Não é o estilo do traço que estou falando, é da versatilidade dentro do estilo. Quantos tipos de feições podemos contar em uma HQ desenhada pela Awano? E Street Fighter não conta, por que o design de personagens já veio pronto, né tolinho?

Enquanto eu buscava algumas imagens antigas de Holy Avengers, encontrei um blog onde o autor fala exatamente o que eu gostaria de dizer. Mas como o texto é uma análise de Holy Avengers, e não sobre a Érica, deixo aqui o link: http://blogdohammer.blogspot.com/2009/03/uma-analise-de-holy-avenger.html

Resta esperar a HQ sair para uma melhor avaliação.

Confira as imagens:

#FaleiMesmo

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