Nessa nova onda de Alice no País das Maravilhas (é filme, é seriado) vem aí a HQ americana. E, para o delírio dos otakus brasleiros, a arte fica por conta da bajuladíssima Érica Awano, famosa por desenhar Holy Avengers. E ela trabalha com a filha de Alan Moore, Leah Moore, que cuida do roteiro. Uma honra, não?

Não. Sem bajulações toscas.

A arte da Érica sempre teve seus fãs e seus críticos, desde a época das ilustrações em eventos de anime. Aliás, as ilustrações dela são mesmo interessantes, bonitas e agradaveis, embora não passem disso. Nada fora do comum e nem livres de erros. O problema é quando ela faz HQs. É quase sempre a mesma coisa. Cenários pobres, muitas páginas sem graça e cenas de ação sem… ação. Sem contar com problemas de narrativa e transição de quadros.

Quem acompanhou o trampo dela deve se lembrar de Street Fighter Zero. Não dá pra tecer críticas à garota hoje tendo como base essa HQ, porque se bem me lembro foi uma das primeiras publicações oficiais dela, há muitos anos atrás. O ponto que quero frisar é que os problemas que ela já apresentava naquela época são os mesmos ainda hoje. Isso pode ser chamado de negligência.

Dessa vez não dá pra negar que a menina evoluiu. Os desenhos estão um tanto mais ricos em detalhes e aparentemente ela encontrou algo para fazer que gosta. Mas uma olhada mais atenciosa e vemos os mesmos problemas com cenários e personagens estranhos em um quadro ou outro. Parte da riqueza das páginas se devem às cores (ainda não consegui informação de quem coloriu, ou se foi a própria Erica). Basta olhar para as páginas e pensar nelas sem cor. O problema com cenários fica óbvio.

As sequencias de quadros também é estranha em alguns casos.

Sendo essas cores dela ou não (duvido, não é o estilo dela), a colorização está realmente bem legal. Sombria, mas sem exagero.

O problema da Érica é que ela não ousa, não inova. Não sai dos mesmos estereótipos shoujos meninas-rostinho-de-porcelana que sempre fez. Não inventa novas e malucas feições e expressões faciais. Tudo é lúdico e bucólico demais. Talvez por isso tenha sido escolhida para Alice. Nada tão bucólico quanto. Mas temo pela seriedade e obscuridade da história.

E isso não é uma questão de gosto pessoal, não. Não é o estilo do traço que estou falando, é da versatilidade dentro do estilo. Quantos tipos de feições podemos contar em uma HQ desenhada pela Awano? E Street Fighter não conta, por que o design de personagens já veio pronto, né tolinho?

Enquanto eu buscava algumas imagens antigas de Holy Avengers, encontrei um blog onde o autor fala exatamente o que eu gostaria de dizer. Mas como o texto é uma análise de Holy Avengers, e não sobre a Érica, deixo aqui o link: http://blogdohammer.blogspot.com/2009/03/uma-analise-de-holy-avenger.html

Resta esperar a HQ sair para uma melhor avaliação.

Confira as imagens:

#FaleiMesmo

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