Continuando a série “resgatando textos antigos”, trago um sobre personagens originalmente postado nesse tópico do Orkut. Revisto e atualizado, porque opiniões e conhecimento mudam.

O pessoal gosta de começar a criar um personagem a partir dos poderes. A princípio, tudo relativo a poderes é deixado pra depois. Não parece, mas isso é o menos importante.

– OHHH!!! Mas o q será do meu personagem sem o seu poderoso ultra-mega-explosivo KAMEPEIDORRÁ????

É aí q tá. O personagem, com ou sem poder, é uma pessoa q tem seu histórico, seus sentimentos, crenças, motivações, objetivos e sonhos. Pessoas são complexas. Olhe pra você (vcs que leem isso aqui)! Você é complexo pra caramba! Os leitores de HQs são super complexos. E complexados, porque a maioria é nerd e fanboy.

Então eu diria q originalidade não importa nessa hora. Deixe ela pro enredo, pro desenrolar da historia. Toda história tem seu herói, anti-heroi, vilão, mocinha, e tudo isso varia de forma de acordo com o gênero. Por isso histórias são universais. Claro, se vc tem uma ideia ultra original para o pesonagem, use! Mas cuidado pra não ser algo q ninguem vai entender ou gostar. Faça o simples.

E o que é o simples? Faça seu personagem uma pessoa comum, como qualquer outra que esteja lendo a historia. Use arquetipos e esteriótipos sim. Crie uma personalidade comum no dia a dia, uma coisa q as pessoas identifiquem. O riquinho metido, a patricinha, o nerd espinhento. O leitor vai ler e pensar “ei, se parece comigo!” ou “ah, essa guria chata é igualzinha minha namorada!!!”. Aí você criou a identificação e o leitor se interessou.

É aí que vc vai colocar coisas a mais. Vai se aprofundar na alma do personagem. Poque o riquinho é metido? Só porque é rico? Isso é pobre. As pessoas são movidas por motivações e objetivos. O riquinho é metido porque além de rico ele QUER alguma coisa. Quer ser aceito, quer ser paparicado, e geralmente ser rico não é o suficinte para isso, então ele tem que aparecer de qualquer jeito e o dinheiro é apenas um meio para conseguir aparecer.

E aí vc coloca o bendito conflito. Con-fli-to. Sem isso, seu personagem não é nada. É uma coisa estática e chata. Conflito é quando Deus e o mundo se colocam entre o personagem e seu objetivo. É quando mesmo com toda a grana e estrategias para aparecer, o riquinho é odiado por todos, o cachorro que era o único a ficar perto dele morre, a garota (aquela patricinha) que ele é apaixonado e coleciona fotos em segredo começa a namorar o nerd espinhento, tudo dá errado e ele tem que fazer algo a respeito.

Um personagem q ficou famoso com seus conflitos é o Homem-Aranha nos anos 60. Eu nao queria estar na pele dele, mesmo sendo um super-heroi. Mas esse é o lance que cativa. O cara é um heroi, salva vidas, faz o q é certo e vive uma aventura, mas no final do dia tem um fracasso que destrói a alma dele. Ele não pode ficar com a garota que ama para protege-la dos viloõs. O leitor quer ser o heroi mas sente na pele a dor que isso causa. Aí entra o sacrificio.

Peter Parker - Homem Aranha
Então você coloca no personagem coisas que farão ele continuar a ser o heroi ou farão ele desistir. Se o personagem acredita q tem q usar os poderes para proteger as pessoas mesmo q ele sofra horrores, coloque o por que disso. No caso do HA, o tio dele que ele respeitava pra cacete o ensinou essa coisa de responsabilidade.

Ok, mas como falamos de mangá, pegue o Naruto. Ele quer ser hokage e quer ser reconhecido. Mas ele é fraco e não consegue aprender nada direito – conflito. Depois ele consegue ser reconhecido pelo babaca do Sasuke, e tudo vai bem, mas o babaca vai ser vilão – por que? Você sabe, motivação do personagem. Mais conflito. Agora a motivação do Naruto é salvar o amigo que vai virar um casaco de pele do Orochimaru, mas ele continua um imbecil fraco. Motivação, conflito, reação. Um ciclo, percebe?

Saruto e Sasuke
Isso pode parecer cliche, mas é assim que uma historia se torna interessante. Na verdade, o clichê está em COMO você vai solucionar o problema “motivador-conflito-reação”. Usar os mesmos de sempre é ser clichê. É nessa hora que você tem o desafio de ser original. Não é preciso criar nada novo, mas algo funcional com situações criativas sem apelar para fórmulas já manjadas nos mangás, HQs e filmes.

#foiescrever

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